Essa coisa de ser bom o suficiente mata a gente.

Muitas vezes, tudo o que a gente quer na vida é fazer parte: pertencer a um grupo, se adequar a um ritmo, caber em uma profissão, estar dentro de um amor. Queremos ser bons o bastante para merecermos recompensas.

Criamos metas na vida e seguimos em frente, em busca, mas qual é o caminho que temos que atravessar para sermos o que devemos ser?

Que coisas e seres tivemos que atropelar? Quais sentimentos e características tivemos que matar dentro de nós? Quantos sapos a gente teve que engolir? E quantas puxadas de tapetes tivemos que dar?

O que o nosso caminhar fez a gente se tornar para que pudéssemos chegar aonde gostaríamos? Que adaptações tivemos que desenvolver para caber num amor, num trabalho, numa amizade?

Eu acho que se adaptar demais faz mal.

Eu acho que o medo do não ter, do não ser, de ficar pra trás, de ficar sozinho pode nos fazer entrar em barcos furados na pressa de não perder a viagem.

A gente entra despreparado, cego, cru em situações, e depois fica se limitando, se podando, se moldando, se adequando ao que não se ajusta à nossa alma.

Quantas vezes nessa vida a gente tem que se espremer para cabe, silenciar para evitar conflitos, engolir dores por medo, ficar para não desagradar, fazer vista grossa até que nossos sentidos fiquem anestesiados?

Mas, muito pior do que não arranjar conflitos é o incomodo do que não foi dito.
Muito pior do que a solidão, é estar perdido dentro de si mesmo perto do outro. Muito pior do que perder as garantias é ter todas e não ter a vida.

Existe uma paz genuína em quem tem a coragem de não sabotar a si mesmo.

E eu desejo e espero que a gente aprenda a não se moldar pela força da mente, pela conveniência da situação, pelo ritmo insano do mundo, pelo medo de perder tudo. Que a gente não se molde pela carência, pelos olhares alheios, pelas aparências.

Que o que nos guie seja uma força maior e tão mais simples, que vem aqui de dentro. Que a gente se encontre no encaixe dos olhares, na intimidade das mãos, na fluidez do caminhar.

Que a gente não pode demasiadamente nossas asas e nem perca completamente o próprio chão. Que a gente não empaque no meio do caminho e não saia correndo desenfreadamente para qualquer direção.

Que a gente não se limite. Que a gente contemple o caminho que andamos e desenvolvamos a nossa melhor versão.

Que a gente grite, transpire, pire, desmistifique, se assim for preciso.

E toda vez que percebermos que estamos demais ou de menos numa situação, mesmo que seja um sopro bem lá no fundo nos dizendo, que a gente se ‘desinvente’ e se reinvente até sentirmos que a vida é mesmo isso: uma grande transformação.




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