Eles

Ela é amor, mas diz ter se aventurado dentre algumas paixões por ai.

Ele é paixão, e diz nunca ter conhecido o amor.

Até hoje…

Ela é Yael, formada em Letras, jovem carioca de 25 anos repleta de sonhos. E está sentada na penúltima cadeira da cafeteria da esquina.

Ele é Romeu, cursa TI na Federal, jovem mineiro de 22 anos com PHD em timidez. Ele se encontra duas mesas na frente da porta de entrada do mesmo lugar.

Yael é um misto de calmaria e caos, mas sabe equilibrar as duas coisas, e sonha com alguém que saiba entender o valor deste equilíbrio.

Romeu é calmo e bastante tímido, mas sabe como despertar uns sentimentos de algumas moças carentes.

Ela pediu um café faz pouco tempo, mas queria mesmo um colo aconchegante e um delicioso par de ouvidos atenciosos por tempo indeterminado.

Ele pediu adoçante umas duas vezes. Queria adoçar o café, o mundo, a vida e o coração.

Ela lia Caio F. Abreu, e mesmo com tantos morangos mofados em seu peito esquerdo, ela mantinha um sorriso de oito-a-nove graus na escala Richter.

Ele era apaixonado pelas palavras da Fabíola Simões e pelos contos do Gabito Nunes. Ele tem suas manhãs alegres e umas noites triste. Ele é a soma de todos os afetos e sonha com um sorriso que lhe balance mais do que qualquer abalo sísmico em dias de terremoto. Um sorriso de oito graus na escala Richter.

***

Ele sorriu.

Ela também.

Quem dera que ao menos tivessem se visto por ali.

Talvez a culpa tenha sido do vento. E naquele instante em que soprava os cabelos de Yael insistindo para que levantasse seu olhar ao horizonte, ela sentiu-se mais segura quando Abreu lhe falava sobre umas loucuras alheias. Ou talvez, a culpa tenha sido de Romeu, que por não ter ajeitado seu relógio ao sair de casa – por dois minutos atrasados -, em meio a isto, talvez ele não tivesse perdido aquela mesa ao lado de Yael agora ocupada por um casal de velhinhos apaixonados.

– Mas o amor não marca hora, lugar ou data. Ele te arrebata de uma forma como quer, como deseja. Amor não é algo marcado, amor é a melhor coisa do mundo; é surpresa.

Então o vento soprou outra vez…

E os fios dos cabelos de Yael dançavam sobre seu rosto, fazendo com que suas mãos tocassem cada fio os expulsando da frente de seus olhos.

Ela levantou seu olhar.

Ele já havia a visto uns segundos atrás.

Agora, neste exato momento, os pares de olhos se encaravam sem qualquer sinal de tempo, sem qualquer objeção do mundo ou de estar ali. Um par de olhos castanhos encarava um par de olhos azuis, azuis tímidos, azuis cristalinos.

Eram um par de olhos azuis dois minutos atrasados, que conhecia o amor por um sorriso de oito graus na escala Richter.

“- Existem bilhões de pessoas neste mundo. Há centenas de cafés nesta cidade. Há trezentos e tantos dias no ano. Existem mais de mil minutos em um dia. Justamente, naquele momento, daquele dia, eles apareceram no mesmo café em que eu estava. Tinha quer ser Romeu. Tinha que ser Yael. Tinha que ser Eles.”

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Pedro Ficarelli
Me chamo Pedro Ficarelli, tenho 25 anos e curso Letras. Garoto bobo apaixonado pela escrita e pelos contos do Gabito Nunes. Pernambucano de Olinda, carismático com um quê de romântico. Escrevo por vida desde moleque tímido com um sonho, de uma dia, minha palavras chegarem a teus ouvidos e visitarem teu coração. Escrevo para pôr palavras onde a dor se faz insuportável. Seja bem-vindo ao meu mundo, o nosso, onde um pouquinho de mim, somado a um pouquinho de ti, torna-se bastante de nós.



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