Amor?

Eu não escrevo sobre amor.

Sobre noites mal dormidas, expectativas criadas sem querer ou como é necessário um ato de coragem para poder se entregar a alguém.

Também não escrevo sobre o pós-amor. O que se faz quando o fim fúnebre chega e resta aos sobreviventes passar pelo funeral daquela pessoa que morreu na sua vida, mas segue viva na de outros.

Me recuso veementemente: a fazer um texto fofo, falar de coisas melosas, discorrer sobre a dor do fim ou de como superar com auto-estima e amigos.

Não vou discursar sobre bater os olhos naquela pessoa e pensar “esse (a) é o futuro pai dos meus filhos/ mãe dos meus filhos”. Muito menos sobre os pequenos atos do dia a dia.

Credo, jamais sobre os pequenos atos do dia-a-dia.

Nem pense que gastarei meu tempo escrevendo sobre passar o dia inteiro na cama com aquela pessoa, jogar videogame, assistir Netflix juntos, cozinhar risoto com vinho na cozinha pequena, sentir e desejar que esses ínfimos momentos durem para sempre.

Jamais usarei experiências próprias em qualquer texto meu: citar o momento em que fomos ver o filme do Wolverine e, naquela cena que o herói se vinga de um caçador que, a sangue frio, matou um pobre urso, você havia dito que o Wolverine era uma espécie de Curupira canadense. Que eu ri tanto que o cinema inteiro se incomodou conosco.

Jamais colocarei isso em texto algum.

Se me verem falando que se apaixonar é bom, é algo que só os fortes conseguem, que é preciso abrir o coração e se jogar, podem me internar. Não, sério! Sou totalmente anti-romântica.

Acredito no pega, mas não se apega. Na curtição infinita. Para que apenas um quando se pode ter vários?

Eu sou o símbolo do desapego, minha gente. Não tenho fossas, supero tudo muito rápido. Não choro em filmes românticos, não sinto falta de ninguém.

É isso. Fim.

Não escrevo sobre amor. E é só sobre amor que escrevo.

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Giovanna Ghersel
Tem 23 anos, é advogada e aprendiz de escritora. Viciada em séries, viagens e desventuras amorosas. Gosta de desabafos de bar, cantar "Evidências" no karaokê e misturar abusivamente Netflix com pipoca. Contribui para a sustentabilidade reciclando experiências em forma de textos e, quando indagada se deve ou não publicar uma crônica reflete: o que Taylor Swift faria?"



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