Sobre ficar sozinho, um dia a gente aprende

Ficar sem música para ouvir é um ótimo motivo para repensar algumas coisas. Principalmente as da vida. Viajar de ônibus então, é ótimo para notar como algumas coisas estão mudando e nem estamos nos dando conta.

É bom quando passamos por momentos de quebras de rotina e de realidade. Muitas vezes estamos presos em relacionamentos onde tudo importa menos a pessoa. Estamos presos ao conforto, à família, à rotina, aos filmes, aos seriados, menos a quem está conosco. Isso em certo ponto é egoísmo, pois estamos buscando algo falsamente no outro que nos completaria e estamos sendo ou tentando ser cegos às nossas fraquezas de nos descobrirmos sozinhos.

Pois eu resolvi encarar meu ponto fraco de ser uma pessoa sozinha. Chorei, esperneei, vi minha vida de ponta cabeça, chorei, desabafei com mil amigos, porém, também fiz mil amigos, e as crises de ansiedade vieram. Em grande parte pela solidão, afinal, faz toda a diferença do mundo não ter uma bengala para se apoiar. Passar a se apoiar em si mesmo exige esforço. Ninguém me disse que seria fácil.

E é passando por essas dificuldades que fui ganhando e ainda estou ganhando forças. Viajei sem música e refleti sobre minha vida. Os dias foram passando e os choros diminuindo, os pesamentos desacelerando, o mau estar por estar sozinha foi regredindo e agora já até sonho com o sábado que se aproxima, onde poderei passar a tarde vestida como eu quiser, vendo os filmes que eu quiser e sem ninguém para ter que dividir a opinião comigo. Sem eu ter que me deslocar daqui pra ali me preocupando com o que vestir ou como me maquiar.

Cada vez mais o centro dos meus pensamentos sou eu mesma e cada vez menos eu me importo se alguém me mandou mensagem ou não. Se mandou bem, se não, amém. TANTO FAZ!

É isso mesmo, tanto faz… porque viver de emoções é um desgaste. Ah, emoções, são luz e trevas. Nos inspiram e, ao mesmo tempo tiram nossa concentração e destroem dias que teriam que ser muito mais produtivos.

Já que não existe controle sobre elas, o melhor é tentar esquecer. Esquecer um pouco dos sentimentos e focar no lado racional. Não abrir espaço para que emoções que possam ser instáveis entrem. Ter emoção pelo trabalho, pela casa, pela vida particular, mas não por alguém, porque é arriscado, machuca e magoa.

Não abrir espaço para que estas emoções entrem é o mesmo que aprender a ficar sozinho, pois é sozinho que descobrimos o que gostamos e o que não gostamos. Quem somos e quem não somos. O que queremos e esperamos da vida somente por nós mesmos, sem ter que colocar alguém nos planos. Ter a liberdade de pensar em viajar para onde quiser, por quanto tempo quiser e é isso. É necessário aprender a ser livre, pois é aqui que aprendemos e criamos o alicerce para que um dia possamos nos relacionar com alguém. Pois é nos apoiando no alicerce do outro que ficamos sem chão quando o relacionamento termina.

Só que ninguém diz que isso vai acontecer naturalmente e com o tempo.

Sempre me forcei a estar bem sozinha, mesmo me sentindo profundamente angustiada e muitas vezes maluca. Quando parei de forçar e deixei que tudo me dominasse, me notei crescendo e me levantando sozinha sem que eu tivesse que forçar a gostar da minha companhia.

A lição é clichê: Ame-se antes de amar alguém. Mas o óbvio é este: Acontece naturalmente e com o tempo. Basta se esforçar a se fechar um pouco em seu mundo e o resto flui. Imagine que tem que criar músculos em suas pernas e as imagine se fortalecendo a cada dia até que ande sozinho sem se apoiar em ninguém. Aceite a dor e tenha para si de que ela passa. Passa não em um mês ou dois, mas passa. Me ajuda muito pensar que em um ano, com meu esforço, posso ter uma realidade completamente diferente da atual e isso me dá forças para seguir em frente e na direção que eu quiser. Autonomia de escolha. A vida é sua e somente sua. Ninguém se importa mais com ela do que você mesmo, então, ergue-te e levanta-te!

Quando perceber, estará vivendo alegremente, cheio de amigos novos e cheios de planos de liberdade sem que você se importe com a opinião de ninguém além de si mesmo.

E o centro do seu mundo voltará a ser você. Que assim seja.

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Domie Lennon
Nasceu em Petrópolis-RJ, mestranda e graduada em Relações Internacionais pela Universidade do Brasil! Tem interesse em tudo que se pode imaginar, até química, física, logaritmo e quadrantes. Sempre adorou escrever e coleciona caixas de textos que escreve desde a infância. Seja sobre poesia da vida cotidiana ou sobre assuntos políticos, filosóficos, antropólogos, científicos, sua vida é de uma forma ou de outra ligada à tentativa de olhar o mundo com mais profundidade do que a correria da rotina nos permite. Nada lhe escapa, dos assuntos cotidianos às condições políticas que acontecem ao redor. O que varia é o horário, a inclinação do olhar ou da cabeça também... Quer falar todas as línguas do mundo... ou quase. Quieta de vez em muito, nada como a introspecção para refletir a vida um pouquinho. Mas também pode fingir ser a pessoa mais extrovertida do mundo se quiser. E engana bem. Da personalidade mais rara do mundo, INFJ com muito prazer!



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