Portas abertas para um amor bonito

Portas abertas para um amor bonito, desses que grudam calcanhares em domingos chuvosos. Janelas escancaradas para que o sol esquente a paixão quando nossos corpos grudarem. Luz para ver seus olhos contarem as histórias sobre você. Meia luz para tocar seus segredos. Escuridão para desvendar seus mistérios.

Vem, pode vir com tudo, sem calma, com alma. Vem, nem bate na porta. Chega dessa história de poupar o coração. Bobagem! Coração que pulsa é coração apaixonado, ainda que custe algumas horas de sono depois. “Se amanhã não for nada disso…”, Lulu cantou esses dias.

Balança a saia rodada enquanto toco uma moda de viola antiga. Se achegue sem medo, arrume um pretexto para não mais sair. Deixe que sejam dois a bailar no um. Metades que se encontram no desencontro da vida. Inteiro que desfaz a ferida. Oh, menina.

Não importa de onde você vem. Quero saber em que lugar você quer chegar. E se quiser me levar, menina, veja bem, eu até vou. Mas tem que ser de verdade, profundo, com fome. Fonte de água pura que umedece a tensão de um dia ruim. Sabe isso? Minha cabeça no seu ombro enquanto segura minha mão.

Quero seu peito, o que tem aí dentro, compro, alugo, roubo, mas não vendo. Só peço uma coisa: de morno apenas o leite do café da manhã que prepararei todos os dias. Qual a sua flor preferida? Qual a sua comida predileta? Vinho? Seco? Deixa que eu sirvo a gente.

Um brinde ao nosso encontro – proponho. Hei de comemorar todos os dias a sorte de ter você comigo. Amor amigo, fica juntinho assim. Quentinho para iluminar o jardim. Rosa, margarida, jasmim, esse teu cheiro doce que me dá fome.

Te como (e como!). É cama de forno, eu e você, você e eu. Meu Deus, onde você estava esse tempo todo? Pergunta boba, eu sei. O melhor do quebra-cabeça é quando a última peça encaixa. Está pronto para emoldurar. Dois toques com o martelo e está lá: enfeitando a parede que você adora.

Chega pertinho, quero te contar um segredo: quando você chegou barrei o medo. Propus enredo, você aceitou a missão. Andando de mão no meio da rua, faço um poema sobre a loucura que você provoca quando fica nua. E me arranca a voz. Aliás, que boca bonita essa tua. Fica ainda mais linda quando toca minha nuca.

Portas abertas para um amor bonito, desses que chegam movimentando tudo, troca o móvel da sala, joga fora a lembrança que ainda persiste. Me embala como faz o mar com a água. Ando contigo até o fim da vida, pouco importa o que vamos encontrar na esquina. Não tenha medo da chuva que por ventura molhar nossa vida. A gente dança enquanto pinga.

Portas abertas para um amor bonito.

Portas abertas para o que de bom você trouxe.

Que seja infinito – enquanto doce.

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Ju Farias
Não nasci poeta, nasci amor e, por ser assim, virei poeta. Gosto quando alguém se apropria do meu texto como se fosse seu. É como se um pedaço que é meu por direito coubesse perfeitamente no outro. Divido e compartilho sem economia. Não estou muito preocupada com meus créditos, eu quero saber mesmo é do que me arrepia. Eu só quero saber o que realmente importa: toquei alguém? É isso que eu vim fazer no mundo.



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