Pois é, não deu

Pois é…

Desde quando o final precisa de um ponto, assim, castigado de culpa? Por que creditar o término de uma história? Será que, envolto de sinceridade, não é possível simplesmente reconhecer caminhos distintos? Um dia desses estava pensando sobre términos. Relacionamentos interrompidos por algum descompasso desconhecido de ambas as partes, mas facilmente identificado pela vida. Não há nada de errado em dizer tchau, até logo ou adeus. Laços não são prisões sentimentais das quais provas constantes devem ser realizadas. Estar com alguém não é muito diferente de não estar mais. É uma escolha.

Num dia, fogos de artifício. Noutro, sobras. E tudo o que se quer é a sorte em encontrar intensidade, onde já não nasce sinceridade. Mas engana-se quem imagina o conjunto de dois sobre os ombros do viver de um. Nada é tão sólido e muito menos efêmero a ponto desse desmanche amoroso. Pessoas foram feitas para transitarem no nosso mar. Sempre será um depositar no caso delas quererem permanecer. Antes que julgue um crime a partida, vislumbre a joia do encontro. A passos largos, de tudo um pouco. É engraçado simplificar o irreal.

Em gotas de amor, preencha a alma. Nada tateável, é verdade. Ainda assim, discreto, vibrante e oceânico, porquês são detalhes. Pois é, não deu. Tentei. Tentou. Tentamos. Somos felizes nas infelicidades que não nos cabem. O tempo não contribuiu da forma como gostaríamos, mas existe serenidade na entrega oferecida.

Novamente, é uma escolha. Mas se não deu, tudo bem. Estamos vivos. Fins não impedem outros pontos, vírgulas e reticências.




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