Onde se escondem os românticos?

Se colocarmos quem amamos em uma gaiola, manteremos esta pessoa na condição da infelicidade. Mesmo quem assume um compromisso conosco pode se sentir preso se estiver se sentindo pressionado. O amor é um sentimento que deve ser regido pela naturalidade e não pela manipulação. A frase “Você tinha que passar por isso para aprender” é mera tentativa de conforto quando já não há mais o que fazer. O que não nos damos conta é que um pouco de intuição e racionalidade pode nos livrar de problemas que tirarão a paz interior que precisamos para sermos livres.

Dando uma passeada virtual noto que os textos que mais chamam a atenção do público são aqueles que falam sobre sentimentos, sobre amor. Gostaria de saber onde vocês se escondem, caros seres humanos indefesos, apaixonados, preocupados com o amor, pois ao meu redor, só vejo super humanos, pessoas que querem vencer, pessoas que não medem esforços para atingir seus objetivos, pessoas que não se sentem inseguras, pessoas sempre felizes, vitoriosas e com sucesso na vida e no amor, resumindo, pessoas focadas em si mesmas. Também vejo pessoas com discurso de ódio político, pessoas que perdem a educação em comentários em redes sociais, pessoas amarguradas, pessoas insatisfeitas, infelizes…

Românticos, onde se escondem? São muitos de vocês preocupados com o abandono, com o amor, com a felicidade, com a reciprocidade, com mágoas…

No mundo moderno não é legal ser romântico, não é? É isso? Não é legal possuir fraquezas, não é legal publicar uma derrota no facebook?

Senta aí, vamos bater um papo sobre o amor.

Depois de muito pensar, cheguei à conclusão de que o amor nada mais é do que duas pessoas que se conhecem, conversam, conversam cada vez mais até que, se gostam a ponto de a despedida se tornar um desafio. Até o dia em que decidem ficar juntas. É simples e natural assim. Nesta fase inicial, o amor mesmo ainda não está sedimentado, afinal, provavelmente você ainda não conhece bem o outro nesta fase, ao menos que o romance tenha vindo de anos convivendo juntos até que, um dia, aconteceu. Nesta fase inicial, muitos ainda estão com uma espécie de máscara da perfeição, o que não deve ser considerado uma falsidade, mas sim, uma máscara formada através da empolgação do momento, da chama ardente, da felicidade. Neste momento, tendemos a ignorar, a dar menos valor aos problemas já existentes em nossas vidas e então, lançamos o discurso de “nada mais importa se estivermos juntos”. Lindo! Lindo mesmo.

O primeiro problema desta história toda é quando não existe reciprocidade. Você percebe que é um desafio dizer tchau a esta pessoa, mas para ela, você nem faz muita falta. Dói não é?

O primeiro pensamento que vem à mente é de desafio. Cria-se uma competição interna onde se passam dias falando com amigos, pesquisando em sites como conquistar alguém e tudo mais. Às vezes, se já sabemos o signo do amado ou amada, até arriscamos saber um pouco mais sobre o outro lendo seu signo. Isso é um bom passatempo… Mas pode ser energia desperdiçada em vão. Quantos de vocês, antes de decidirem optar pela competição da conquista, colocaram bem as cartas na mesa e pensaram sobre quanto valeria sua luta por determinada pessoa? Quantos de vocês já não tiveram relacionamentos onde, no final, pensaram: “Para quê me entreguei de graça a esta pessoa que não me valorizou?”

Parece que o problema central na vida das pessoas é o amor. Músicas sobre amor fazem muito sucesso, textos sobre amor possuem efeitos virais e livros então, batem recordes. O que seria o sucesso de Crepúsculo? A história de vampiros, ou o amor idealizado por trás do drama?

No entanto, o que mais vemos por aí, são discursos de frieza, de desapego, de individualismo, de felicidade sem depender de ninguém… Aos que pregam que o amor não é tão importante assim, a companhia dos amigos é essencial. Já os que priorizam o amor, geralmente estão acompanhados somente de seus parceiros a maior parte do tempo…

Podemos concluir então que as mesmas pessoas que pregam o desapego, são ultra apegadas aos amigos, a festas, a eventos e a manter a agenda lotada nos finais de semana e, desta forma, podemos questionar se existe, de fato, desapego?

O amor possui um buraco garantido a ser ocupado em nossos corações. Podemos até dizer que não precisamos dele para sermos felizes, mas então, arrumaremos outros apegos para tapar este buraco. Amigos, festas, eventos, sociais, jogos… Na verdade, até os solitários querem alguém para poder contar como foi o dia. Seria aí uma parte do sucesso das redes sociais? Uma tentativa de se sentir querido através de uma tela que esconde um quarto vazio?

Eu gostaria de trazê-los a uma reflexão: Em quantos dos problemas amorosos em que se meteram, pensam que poderiam ter sido evitados? Quantos dos relacionamentos que tiveram que não deram certo, ao final, uma voz lá no fundo da consciência, não lhes disse: “Eu bem que te avisei”?

Eu os convido então, a serem mais transparentes com o que querem. Se querem viver um grande amor, sejam isso, vivam isso. Falem, não escondam a vontade. Não adianta pregar o desapego, querendo, bem no fundo da alma, alguém que te diga o quanto você é importante e o quanto faz falta.

Não entrem nessa moda de super heróis nas redes sociais se, quando ninguém vê, ficam lendo textos sobre o amor. Admitir as próprias fraquezas é uma virtude. Pensem bem se as pessoas por quem se sentem atraídos ou apaixonados, valerão mesmo à pena tanto esforço. Tentem separar o que é carência ou ego do que seria o amor.

Muitas vezes nos vemos apaixonados por pessoas que nem combinam tanto assim com a gente, são apenas pessoas que nos dão atenção em momentos que nos sentimos sozinhos, ou após algum término de namoro. Muitas vezes nos vemos buscando ser correspondidos por alguém durante tanto tempo e quando nos perguntam porque queremos isso, nem temos uma resposta apresentável para dar. Isso é sinal de que o ego vem falando mais alto que o coração. Neste caso, queremos ser correspondidos apenas para não nos sentirmos rejeitados.

Quando o esforço é muito grande, possivelmente cicatrizes virão. Nunca devemos forçar o outro a nos dar atenção. Nunca devemos deixar de ser quem somos para atrair o outro. Nunca devemos forçar algo que deveria ser natural. Nunca devemos idealizar algo. Ninguém é tão perfeito que mereça nossos pensamentos 24 horas por dia. Isso tudo tem um preço alto a ser cobrado no futuro…

Deixemos o ego de lado. Nem sempre o exemplo de beleza é a melhor opção para nós. De nada adianta ir atrás de pessoas tão belas quanto as capas de revista, se estas não nos completam, se não combinam conosco. De nada adianta tentar prender pássaros livres. As pessoas possuem momentos. É muito claro quando alguém não está pronto para se envolver, mas nossas emoções não nos deixam ver e então ficamos dando murros em ponta de faca, nadamos, nadamos e no final, morremos na praia. O problema é quando, quem sabe que não é seu momento para se envolver, deixa o outro se iludir…

Quando alguém está pronto para namorar, ou casar, essa vontade vai partir dela. É natural. Não tentem ficar manipulando aquilo que não está sob o controle de vocês. Só Deus sabe o que passa na cabeça das pessoas, não será você que desvendará isso. Portanto, a melhor decisão, é deixar fluir. É deixar que o outro nos observe, que o outro note valor em nós. Romances onde temos que ficar muito tempo tendo que provar nosso valor, geralmente não vão adiante, ou quando vão, ficam na corda bamba. Altos e baixos atrapalhando a paz interior. Tentar forçar uma situação só causa dor, traumas, cicatrizes e muitas vezes, acabam com amizades que iam muito bem até então.

Portanto, meu conselho aqui é sair mais, se divertir mais, viver mais. Ao preencher a vida com coisas que gostamos de fazer, vemos coisas lindas acontecerem, e no final, fica muito mais bonito do que se tivesse saído como planejado. Eu desejo a todos, uma vida repleta de alegrias e aventuras. Desejo que sejam realmente livres das correntes que a sociedade cria e que, se estiverem apaixonados, tenham a coragem de dizer, de mostrar ao mundo. E que, se estiverem na fase do desapego, que isso realmente seja uma vontade interior e não, um discurso da moda. Como bem disse nossa companheira escritora da Obvious, que fez o texto inspirador “Sobre raízes e asas”, há aqueles que preferem voar e aqueles que preferem ficar. Eu diria que todos nós somos os dois tipos. Tudo depende das fases de nossas vidas. Às vezes temos nossos momentos de criar raízes, outras vezes temos nossos momentos de voar. Só não tente criar raízes em pessoas que estão em seus momentos de voar. Fiquem calmos se um amor não foi correspondido agora. Continuem vivendo… a vida pode te dar uma rasteira no futuro, portanto, de nada adianta sofrer por antecipação. Vivam intensamente, como se hoje fosse o último dia. Frase conhecida, mas de novo, não dispenso o clichê. A frase é boa mesmo… Se pensássemos mais nela, talvez o tédio da rotina não nos pegasse desprevenidos.

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Domie Lennon
Nasceu em Petrópolis-RJ, mestranda e graduada em Relações Internacionais pela Universidade do Brasil! Tem interesse em tudo que se pode imaginar, até química, física, logaritmo e quadrantes. Sempre adorou escrever e coleciona caixas de textos que escreve desde a infância. Seja sobre poesia da vida cotidiana ou sobre assuntos políticos, filosóficos, antropólogos, científicos, sua vida é de uma forma ou de outra ligada à tentativa de olhar o mundo com mais profundidade do que a correria da rotina nos permite. Nada lhe escapa, dos assuntos cotidianos às condições políticas que acontecem ao redor. O que varia é o horário, a inclinação do olhar ou da cabeça também... Quer falar todas as línguas do mundo... ou quase. Quieta de vez em muito, nada como a introspecção para refletir a vida um pouquinho. Mas também pode fingir ser a pessoa mais extrovertida do mundo se quiser. E engana bem. Da personalidade mais rara do mundo, INFJ com muito prazer!



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