O poder do abraço

– Bom dia, dona Maria! A senhora por aqui de novo? O que lhe aconteceu?
– Dr. Pedro, estou sentindo uma forte dor nas costas.
– Mas a senhora está ótima, dona Maria, olhei seus exames na semana passada.
– Pois é Dr., mas acho que estou com pedra nos rins.
– Dona Maria, seus rins estão em perfeito estado. Além disso, pedra nos rins causa uma dor muito mais forte do que essa que a senhora está sentindo.
– É que disfarço bem, Dr.
– Ah, sim. Bom, deixa eu examiná-la.
– Dói aqui?
– Não.
– Aqui?
– Acho que não.
– Mais para baixo.
– Aqui?
– Aí, aí, bem aí!
– A senhora anda carregando muito peso?
– Só as sacolas da feira.
– Então, a senhora deve carregar menos peso e descansar bastante. Vai ficar boa logo!
– Será que não é apêndice, Dr. Pedro?
– Apêndice dói aqui, dona Maria.
– Ai, ai, não aperta. Dói aí também, Dr.
– Dona Maria….
– Dr., uma última coisa, por favor. Escuta meu coração? Acho que está batendo muito devagar. Olha, estou até com falta de ar!
– Dona Maria, a senhora está ótima, eu garanto que não há problema com a sua saúde.
– Por favor, Dr. Pedro.
– Ok, vamos ouvir esse coração. Respira fundo, solta, respira fundo, solta devagar, respira de novo. Prontinho!
– O que eu tenho Dr.?
– A senhora tem algo muito simples de resolver, fique tranquila.
– É grave?
– Muito simples, vou resolver agora mesmo. Levante-se, por favor.
– Vai me dar uma injeção?
– Não, vou lhe dar um demorado abraço.

– Como se sente agora?
– Muito bem, Dr.!
– Ok, dona Maria! Vejo a senhora na semana que vem.

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Ju Farias
Não nasci poeta, nasci amor e, por ser assim, virei poeta. Gosto quando alguém se apropria do meu texto como se fosse seu. É como se um pedaço que é meu por direito coubesse perfeitamente no outro. Divido e compartilho sem economia. Não estou muito preocupada com meus créditos, eu quero saber mesmo é do que me arrepia. Eu só quero saber o que realmente importa: toquei alguém? É isso que eu vim fazer no mundo.



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