Não é pra ser agora

Eu insisti, me cobrei, achei que o problema fosse comigo e talvez seja. Sou complicado demais, ansioso demais e tudo aqui é exagerado, preciso de amor demais, de atenção demais, de tesão demais, e preciso de espaço para a minha felicidade individual.

Eu sempre me achei meio arrogante, egoísta. No mundo há as pessoas que usam e as pessoas que são usadas. Eu já fui os dois. Quando falo em felicidade individual eu sei que soa egocêntrico, mas não é, acredite. Mais uma vez eu tentaria fazer alguém feliz sacrificando quem eu sou, por que preciso de reciprocidade demais e hoje você não pode me dar o que eu preciso. É, talvez seja prepotência e você me odeie pelo resto da vida por que acha que me coloquei num relicário e estou me achando a última bolacha do pacote. Modéstia à parte talvez eu seja. Sei que corações como o meu são raros, são cheios de cuidado e amor que dá até pra dividir, mas quando me entrego, é sempre demais, é sempre até o fundo e eu sou absolutamente verdadeiro nisso.

Eu não posso fingir que estou satisfeito, na vida, na companhia, na cama, isso não me completa e ir embora da sua vida até dói aqui, porque não parece, mas eu vou criando laços, expectativas e até faço pequenos sacrifícios das minhas vontades pra ver um sorriso escapar do seu rosto.

Hoje eu quero que entenda que se quero cortar esse laço, é pra evitar que daqui a bem pouco tempo a gente deixe de se cumprimentar, que a gente nem olhe direito um pro outro e tudo o que eu quero hoje é guardar as coisas boas, os momentos bonitos e até aquelas idiotices só nossas, pra sorrir quando lembrar de você. Estou guardando o melhor da gente.

Mas pensei muito, refiz as contas, coloquei tudo no papel, consultei até a bolsa de valores. Não é pra ser agora, por que não que eu seja a pessoa mais madura do mundo, mas estamos em momentos diferentes e eu repito, você não pode me dar o que eu preciso e isso não é culpa sua. Você talvez só precise conhecer outras pessoas, experimentar outros beijos, crescer de dentro pra fora, exercitar essa arte de amar que nem todo mundo domina assim de cara, e eu também não estou num momento que eu possa pegar sua mão e te ajudar trilhar esse caminho que você precisa passar sozinha.

Talvez, lá na frente numa dessas esquinas a gente se cruze e talvez eu more no seu abraço que até aqui sempre me fez bem, mas que isso supra as minhas necessidades que hoje são de viver a vida com intensidade, de encontrar prazer pra acordar todos os dias motivado. É duro ter que se afastar, mas não posso continuar conversando contigo como se nada estivesse acontecido, fingindo ser seu amigo como se eu não tivesse por um momento na minha vida te amado. Não posso te encontrar numa mesa de bar sorrindo pra outros olhos e fingir que você não foi um pouco minha. Então, não é um adeus, é um até breve regado de carinho. É pra dizer que quem sabe ainda sejamos nós, mas não agora.

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Giovane Galvan
Giovane Galvan é taurino, apaixonado e constantemente acompanhado pela saudade. Jornalista, designer, produtor e redator, escreve por paixão. Detesta futebol e cozinha muito bem. Suas observações cotidianas são dramáticas e carregadas de poesia. Gosta do nascer e do pôr do sol, da noite, mesas de bar e do cheiro das mulheres pra quem geralmente escreve. Viciado em arrancar sorrisos, prefere explicar a vida através de uma ótica metafórica aliando os tropeços diários a ensinamentos empíricos com a mesma verdade que vivencia. Intenso, sarcástico e desengonçado, diz que tem alma de artista. Acredita que bons escritos assim como a boa comida, servem de abraço, de viagem pelo tempo e de acalento em qualquer circunstância.



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