Enquanto todos dormem

Há dias me tornei amiga da insônia.
Não é normal, uma vez que a cama sempre foi uma grande amiga e o sono um amante. Então, ainda hoje, dias sem dormir, me pego em conflito com a falta de sono. Porém, todos os dias sem dormir foram responsáveis por um novo aprendizado, e o dessa noite eu preciso contar a vocês.

Duas e quarenta e sete, esse era o horário que marcava no relógio. Levantei, fui ao banheiro e decretei minha sentença. Já não conseguia mais dormir. Havia deitado por volta das vinte e duas horas, o que já contabilizariam quase cinco horas dormidas, o que não é de todo ruim.

Então, ao acessar o celular, deparei-me com novos capítulos de uma série que amo, assisti três episódios seguidos, sem pausas. Já eram quatro e trinta, por ai. Ainda sem sono.

Pensei que já poderia dormir, afinal, meu quarto já começava a clarear pela chegada do dia. Mas não foi isso que aconteceu. Mas para que entenda o que me veio, preciso retornar alguns dias e te contar como as coisas tem sido por aqui.

Incrivelmente, mesmo com toda ansiedade e caos que por natureza me escolheram, a vida quis chover. São dias de chuva e eu não sei quando o sol virá. Ainda não tenho previsões de quando aquela nuvem passará, muito menos o dia em que está previsto para clarear. Mas até então, tudo bem, sempre soube que as chuvas são para que floreie, para acalmar o solo e trazer vida ao que secou.

Mas confesso que não tem sido tão fácil. É como se eu precisasse das lágrimas para esvaziar minha alma. Talvez seja por isso que é muitíssimo fácil me encontrar chorando por coisas pequenas, que para mim, não ficam aquém das grandiosas. Afinal, existe um motivo certo para chorar?

OK, estou fugindo do foco, voltemos.
Nos últimos dias experimentei coisas que nunca pensei passar. É como se a vida tomasse gosto de me surpreender (e dessa vez não falo de “boas” surpresas). É como se praticássemos alguma luta de tatame, eu ainda faixa branca, e ela, a vida, minha professora. Faixa preta e ousada, adorando me dar uma rasteira e me ver deitada (tira casaca, bota casaca).

Mas espere um pouco, não gostaria de lamentar pelos últimos dias. Gostaria só de introduzir o que poderia ser o motivo dos dias sem dormir direito. Acredito que esteja bom por aqui, você já deve ter entendido que há um motivo para manter-me acordada.

Voltando ao hoje.
Após finalizar os três episódios, voltei ao banheiro e em seguida para a minha cama. Peguei novamente no celular e não consegui segurá-lo. Alguém estava no meu quarto, com certeza, alguém havia entrado.

Veio uma vontade súbita de chorar acompanhada de um sussurro: Oi Filha.
Era meu Pai. Doce e maravilhosa presença, era meu Pai. Após dias sem ouvi-Lo ou sentir Sua presença, Ele entrou no meu quarto. Perdi as forças e só consegui chorar.

Conversamos e eu lamentei pelos últimos dias.
Disse estar louca e doente, e que não achava que conseguiria mais permanecer firme. Ele sorriu, como sempre sorri. Não falou nada, não citou prazos e também não disse quanto mais duraria ou quanto mais eu passaria pelos dias de chuva.

Mas enquanto Ele estava no quarto (ainda está), eu me esqueci de como estava o clima e só pude ser envolvida por Sua doçura. Chorei novamente.

Então, cinco e quarenta e oito. Exatas três horas e um minuto após acordar.
Sinto-me leve enquanto pessoa, e menos atormentada pela falta de sono. Fui surpreendida e carregarei mais uma experiência comigo.

Escrevi para que você pudesse crer.
Creia que os dias sem sono e nublados não são apenas dias de perda. Pelo contrário, veja nesses dias as indescritíveis possibilidades de receber uma visita e tomar banho na chuva.

Veja com os olhos otimistas de uma criança que há um lindo e breve motivo para estarmos aqui, e vivermos exatamente como está acontecendo (como deve ser), essa vida que em breve se findará.

Enquanto todos dormem alguns continuam acordados.
E se não é possível dormir, possibilite-se ao que só acontece aos que despertaram.

“procure descobrir, por você mesmo, como o Senhor Deus é bom. feliz aquele que encontra segurança nele.” – salmos 34:8 (ntlh)

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Bárbara Fernandes
Sempre escrevi em diários, e guardava-os todos para mim. Até descobrir que existiam mais pessoas que precisavam ler. Então, aqui estamos!



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