Beijos não dissimulam intenções

Por Isabela NicastroSem Travas na Língua

Vocês que me desculpem, mas beijo é essencial. É o primeiro passo e também o gesto mais significativo de qualquer relação. Tem o beijo de “boa noite, mãe”, o selinho no melhor amigo, o primeiro beijo meio desengonçado e aquele ardente e caloroso dos amantes. Em todos os felizes momentos, ele está lá dando forma ao carinho, à felicidade e ao amor. Até nas horas tristes, o beijo vem como acalento, na medida em que se mistura com as lágrimas que escorrem pelo rosto.

Além de movimentar até 29 músculos e de gastar entre 12 a 14 calorias, um beijo tem o incrível poder de alimentar a alma e de revigorar o coração. Por vezes, o de cura, já que, desde a infância, suplicamos por um beijinho quando cortamos o dedo ou ralamos o joelho. Independente do caso, metaforicamente, o beijo está ali para curar. Seja a sua carência, o machucado ou a sua saudade. Ele supre um sentimento de falta para que, então, outros tomem seu lugar, como o tesão, o amor, o carinho e a cumplicidade.

Beijar é um verbo de via de mão dupla. É preciso que as duas partes, a que beija e a que é beijada, estejam dispostas a tal. Quem beija doa carinho, afeto e intensidade. Quem recebe, deve estar pronto para se sentir querido e desejado, atitude que é dádiva de poucos. É preciso entrega para ambas as partes. No entanto, no caso de beijos longos e molhados, como definir quem beija e quem é beijado? Não há definições claras. E por não haver clareza, é certo que ambas as partes beijam e são beijadas. Um misto perfeito entre doar e receber.

Um ato nobre e sensitivo, em que é necessário sensibilidade para perceber no outro as intenções do beijo. Aqueles rápidos selam compromissos. Os trocados entre pais e filhos são as expressões mais puras do amor e do cuidado. Já entre os amantes, os beijos têm particularidades interessantes. Começam lentos, quase desempolgados para, então, acelerarem a ponto de escancarar o desejo entre línguas.

Beijos não conseguem dissimular intenções. São claros, diretos e objetivos. Sobretudo, são a expressão mais simples da sinceridade e do sentimento. Dessa forma, mesmo que suas intenções não estejam claras, sobre quaisquer situações, deixe que os beijos a determinem. Assim como o coração, eles podem lhe indicar o caminho. Podem ser ótimos guias para quando a razão insiste em não dar conta.

Por isso, cedam aos beijos. Guiem-se!

Fonte indicada: Sem Travas na Língua

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Isabela Nicastro
Capricorniana, 23 anos, jornalista. Apaixonada por mar, cães e cafés da tarde em família. Não dispenso bacon e muito menos uma boa história. Meu coração é intenso e grita mais do que a razão. Tenho o sentimento como guia e a escrita como ferramenta.



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