Toda dor há de ser passageira

Marcas do passado, feridas que parecem não cicatrizar e dores que atacam mais a alma do que o corpo. “Onde é que dói, menina?”. No coração, ela responde. Mas não há nada lá que possa ser detectado por algum procedimento médico. Não inventaram nenhum remédio para o sofrimento que carregamos no peito, nenhuma cura para os tormentos que nos assombram nas frias madrugadas de inverno. Nesses dias, quando a solidão se apresenta como única companhia, os olhos umedecem. Chorar pode ser a única forma de deixar sair um pouco da tristeza que se esconde dentro de nós.

No silêncio da noite, vozes nos dizendo que não adianta insistir, que nada vai mudar, por mais que a gente tente fazer diferente no dia seguinte. “A cada dia você tem uma nova chance de ser feliz”, as pessoas falam. Mas não é bem assim que as coisas acontecem e você sabe muito bem disso. Todos os dias parecem iguais e sem cor, sem vida, sem amor, sem momentos bons. Como se a nossa dor se espalhasse pelo mundo, retirando o brilho dos objetos e afastando pessoas queridas. Mas toda dor há de ser passageira, é o que tenho de bom para te contar agora.

Não significa que você vai acordar feliz amanhã, nem que vai esquecer o que um dia fez você chorar: um coração partido, uma briga familiar, uma amizade destruída ou mesmo uma dor mais profunda, dessas que ninguém além de você conhece – e, por isso, todos estão mentindo quando dizem entender o que você sente. Estou dizendo que existe esperança no meio dessa confusão, uma forma de deixar a tristeza de lado e aproveitar o melhor que a vida tem para nos oferecer: dizer para nós mesmos que somos mais fortes do que a nossa dor. E continuar acreditando que dias melhores estão por vir.

COMPARTILHAR
Valter Junior
Amante de café, boas ideias e mulheres de atitude. Adora conhecer pessoas, filmes e músicas novas. Fundador do Puta Letra. Pai de um livro, esperando o segundo bebê.



DEIXE UMA RESPOSTA