O passo a passo do Amor verdadeiro

Hoje é um daqueles dias. Dia que, depois de semanas absorvendo coisas e digerindo o que a vida dá, surge um estopim interno. Dia em que começamos a ver a mesma coisa se repetindo em todos os lugares, como se fosse quase uma provocação do universo.

Sim, hoje é dia. Vou me dar ao luxo de escrever sobre Amor. Um sentimento tão complexo que a ciência resumiu em algumas reações químicas e justificando sua existência por questões biológicas, imagino que deva ser difícil viver pela “razão”. Aplaudo de pé tais cientistas.

Porém, não vou abordar o Amor através das lentes da razão, prefiro ser romântico. O que trago comigo é um questionamento, que creio que pode coincidir com as sensações de algumas pessoas que estão no meio desse tiroteio de “Amores verdadeiros”. Já faz um tempo que Gregório Duvivier escreveu um texto para sua antiga companheira Clarice Falcão, li com atenção e degustei cada palavra. Depois disso comecei a observar a reação das pessoas sobre o mesmo texto. Coincidentemente, ou pela sincronicidade que existe em nossas vidas, começaram a brotar, no canteiro da minha rotina, inúmeras pessoas escrevendo exatamente sobre o polêmico: “Amor de verdade”.

Cada texto, cada música, cada conversa escutada de canto de orelha, cada interação com pessoas que trombaram, sem querer, com a idéia que estava crescendo em mim, me fizeram construir algo para tentar entender ou pelo menos iluminar o que estava lá dentro. Com isso, comecei a questionar como algo tão generoso e intenso quanto o Amor estava sendo colocado numa caixinha? Como pode existir um “Amor de verdade”? Se eu seguisse os passos de outras pessoas que dizem ter tal sentimento, vou também amar de maneira “correta”? Caso eu me medique para produzir as reações químicas necessárias, estarei amando ou serei um robô movido a um combustível sintético? Primeiramente, imagino que todo amor seja verdadeiro, “Amor verdadeiro” me soa como um pleonasmo.

Numa sociedade, em que vemos de maneira mais explícita as diferenças entre cada pessoa como pode existir uma padronização de um sentimento? O sentimento não acompanha as pessoas que o geram? Assim como quando nos relacionamos com pessoas, independentemente do tipo de relação, conseguimos observar claramente as diferenças nas maneiras de se expressarem, parece até que falamos línguas diferentes e assim o é.

Creio que, conforme crescemos aprendemos a dialogar com os sentimentos que carregamos e criamos uma língua própria para expressar tais sensações, ou seja, cada ser, na sua unicidade e na beleza de sua essência, carrega consigo uma maneira de amar. Uma língua para o Amor. Não existe maneira certa ou errada para se amar, um amor falso ou verdadeiro. Existem línguas diversas para se expressar o Amor.

Alguns expressam cozinhando horas para a pessoa amada comer em minutos, outros com declarações tão espontâneas que os clichês passam despercebidos. Alguns expressam trocando, por debaixo das cobertas, palavras com um gosto de café da manhã, outros pelo silêncio casado com olhares que brilham de paixão. Alguns expressam através de presentes espontâneos, pois a rotina não permite com que exista uma convivência presencial, outros pelo humor serelepe, contando piadas que uma criança acharia infantil. Alguns expressam pelo cuidado especial e atencioso aos detalhes do gosto da pessoa amada, outros por abraços tão profundos que, mesmo por um segundo, parece que nada mais existe além do calor de corações harmônicos.

Enfim, as maneiras de se amar são infinitas, assim como creio que não existam “passos a serem seguidos” ou modelos que sejam funcionais. Nesta vida podemos nos deparar com pessoas que não falam a mesma língua que nós, no entanto, caso a vontade de compreender o outro seja maior que o medo da diferença, aprendemos a dialogar com os nossos corações. Aprendemos uma língua nova para o Amor, tão única quanto a nossa própria, pois nela reside o fruto de duas diferenças respeitadas, de duas almas que resolveram se envolver e caminhar por aí, sem rumo, mas com passos cadenciados, quase como numa dança, em que se um perde equilíbrio, o outro estará lá para ajudar a relembrar de como soava a música que os regia.



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Mike A. Mazurek, formado em Comunicação e Mestrando em Comunicação e Práticas de Consumo, futuro professor e escritor pelo prazer da vida.

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