Na arte da conquista, faça o que quiser

Por Isabela Nicastro / Sem Travas na Língua

Conversando com uma amiga há algumas semanas, chegamos à conclusão: a falta de naturalidade pode arruinar o início de qualquer relação. Ela, que está saindo com um cara há algumas semanas, ainda fica toda insegura a cada resposta que precisar dar. Por exemplo, na hora de sugerir o lugar para o encontro, fica com receio do que o outro pode pensar. Talvez ela não tenha bom gosto ou quem sabe tenha atitude demais por sugerir um lugar. É complicado. Na hipótese do que o outro pode pensar, anula-se a própria expressão.

É claro que nos primeiros encontros, é impossível ter total intimidade com uma pessoa que ainda se está conhecendo. Além disso, é a fase que procuramos agradar e mostrar o nosso melhor. As nossas qualidades, o gosto musical impecável, o poder de atração. No entanto, diante de tanto foco em ser o par ideal, esquecemos do essencial: nós. De fazer o que queremos fazer, independente do que o outro pode pensar. Ocultamos nossa essência e exibimos sorrisos amarelos, gostos forçados e opiniões clichês.

Não mandamos aquela música que nos faz lembrar do outro, porque vai parecer apaixonada demais. Não chamamos para comer aquele hambúrguer, afinal, pode parecer que você não liga nem um pouco para a saúde e para o cuidado com o corpo. Não deixamos claro nenhum interesse, porque, óbvio, demonstrar interesse é ser o trouxa da relação. Em resumo: não fazemos o que queremos, pois estamos acostumados a nos adequar ao que esperam da gente.

Quando há naturalidade, possivelmente, a outra pessoa vai pensar algo sobre você. É natural. E aí, ao invés de temer o que o outro pensa, deveríamos ficar felizes, afinal, ele está pensando exatamente sobre o que nós mostramos. Se mostramos a nossa real personalidade, ela poderá agradar ou não, mas será a nossa. Única, intransferível e real, totalmente real. Não há perfeição, não há gosto cult e qualquer opinião forçada que resista ao charme de ser o que realmente é.

Com o passar do tempo e com o aumento da intimidade, inevitavelmente, as máscaras cairão e nos mostraremos, cada vez mais, de cara e coração limpos. E aí, a diferença entre o que foi mostrado no início pode ser realmente gritante. Podemos, de fato, afastar a outra pessoa, não mais por nossa real personalidade, mas por ter demorado tanto para que ela aparecesse. Pareceremos falsos, quando apenas tentamos nos mostrar perfeitos demais.

Portanto, esqueçam os “10 passos para a conquista perfeita”. A receita ainda é e continuará sendo sempre a naturalidade. Nua e crua, por mais que não agrade.

Fonte indicada: Sem Travas na Língua

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Isabela Nicastro
Capricorniana, 23 anos, jornalista. Apaixonada por mar, cães e cafés da tarde em família. Não dispenso bacon e muito menos uma boa história. Meu coração é intenso e grita mais do que a razão. Tenho o sentimento como guia e a escrita como ferramenta.



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