Me deixa ser teu amigo

Eu temia o dia em que o acaso fosse trabalhar para nos colocar frente a frente numa dessas esquinas da vida. Meu medo era muito simples: perceber que não tinha esquecido você nem um pouco. Afinal, é muito fácil falar de superação quando não se tem mais contato, agora quando os olhares se cruzam de novo, as palavras são trocadas e cheiros tão conhecidos vêm à tona, é difícil falar que esqueceu.

Pois bem, o acaso fez seu trabalho e lá estávamos nós no meio de uma madrugada como dois amigos e parei de temer aquele momento porque como todas as situações que envolvem você, ele me trouxe um ensinamento.

Eu sinto saudades de você, muita saudades e isso sempre foi muito claro, mas eu finalmente descobri o motivo dessa saudade. Não é a falta de ficarmos juntos, das carícias, das juras de amor ou dos planos futuros que insistíamos em traçar. A minha saudade é da nossa amizade, de como conseguíamos desenrolar qualquer tema em uma grande discussão (nosso Vênus em Gêmeos colaborou muito), de brincar com os acessórios enquanto você não sabia escolher qual roupa levar, de rir de coisas toscas na rua e de se falar por bordões. Essa é minha saudade.

Meu coração supera qualquer amor falido, qualquer amor não recíproco, mas a perda de um amor amigo é demais pra ele. Ainda mais quando essa perda não deve acontecer e, sejamos sinceros, os únicos culpados disso somos nós. Deixando que os caminhos comecem a se separar sendo que sentimos que isso é errado.

Eu sinto sua falta, amigo. Vamos tirar esse fardo de coração partido, nós podemos ser melhores do que isso. Melhor do que essa dor que eu carrego e melhor do que essa angústia que você sente toda vez que percebe que me machucou de alguma forma. Me machuca muito mais essa distância que você insiste em manter com medo de como o acaso vai trabalhar.

Eu entendo, eu tinha esse medo. O acaso trabalhou da forma que eu menos queria que acontecesse, mas não tem a ver com “querer” tem a ver com “como tem que ser”. E agora deixo o acaso correr seu curso e trazer com o tempo a cura para esse fardo que impede de sermos o que realmente nos conhecemos para ser. Grandes amigos.

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Gabriel Bernardi
"Estudante de Rádio, Tv e Internet, Cinema e amante da arte de se expressar por palavras. Canceriano, ascendente em Libra, acredita que o amor muda a forma que vemos o mundo e como levamos nossa vida. Livros sempre foram seus melhores professores, nos trilhos de trem e metrô aprendeu muito sobre pessoas. Considera um prazer escrever pra si mesmo e agora uma honra ser lido por você."



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