Em qual tempo você está agora?

Somos agora. Jamais seremos amanhã, menos ainda passado. Esse talvez seja o maior de todos os aprendizados. Só quando entendemos isso é que descobrimos a verdadeira felicidade. Quem já viveu do ontem sabe o dano irreparável que isso causa e quem só pensa no depois acaba por não vivendo nada. Tudo acontece no hoje, no minuto em que você lê esse texto. Sua vida está acontecendo enquanto você procura respostas de velhas feridas ou planos mirabolantes para o ano que vem. É nesse espaço de tempo que perdemos o tempo.

Tempo, tempo, tempo. Já disse várias vezes que o tempo é só uma questão de matemática, visto que ontem já foi e amanhã nem sei se virá. Somos frágeis em se tratando de tempo, muito delicados quando refletimos a vida.

A vida é um sopro e a gente voa em direção ao nada toda vez que saímos do lugar para algum outro momento que não esse já. É já, meu amigo. E se vivermos nesse tempo, no tempo do já, não teremos urgências desnecessárias, tristezas ou qualquer outro sentimento que não se consiga explicar.

Esses dias senti uma tristeza profunda e não sabia o real motivo, apenas senti. Chorei por alguns segundos tentando entender o que acontecia e nada me parecia motivo para sentir dor. A vida está boa, o coração está batendo direitinho, família em harmonia. O que havia comigo?

Era simples: eu estava em algum lugar do passado ou do futuro que nem eu sabia qual. Foi uma grande amiga que me disse isso e talvez por isso tenha surgido esse assunto por aqui. Não sei em que tempo estava, mas voltei imediatamente para onde minha vida acontece.

Sabe, não é tarefa fácil essa do agora, do já, do momento presente. Somos feitos de saudades de quem já partiu, de quem está longe e até de quem vive com a gente. Somos reflexo das histórias que vivemos, dos amores que tivemos e também das dores que sofremos. Em contraponto, veja bem, somos feitos das urgências do amanhã. Do amor que ainda não veio, da incerteza do depois e de tudo o que sonhamos para nós e que projetamos no futuro.
Tudo bem, é assim com todo mundo e não há motivos para desespero. Penso que a questão seja encontrar o presente no meio das saudades do que nos fez gente e do que ainda nem vivemos. Onde eu estou agora? Que lugar esses dois tempos ocupam nos meus dias?

Ah, Ju! Então você não sonha com nada? É claro que sim! E muito! Mas o que venho tentando fazer é não viver do que pode ser e focar naquilo que é. Temos planos e não teríamos como viver sem fazê-los, mas não podemos esperar focados no dia em que chegaremos na ilha desejada (seja ela qual for), pois ela não existe.

O que existe é o caminho que percorremos para que nossos sonhos se realizem. É um percurso que precisa ser vivido, sentido e explorado no momento presente. Se esperamos o que o sonho tem para nos dar amanhã, não vamos sonhá-lo hoje e muito possivelmente nem percebermos quando chegarmos lá.

Aprendi que existe algo chamado presente precioso e busco viver minhas experiências nesse tempo. Talvez a sua vida não esteja do jeito que você gostaria, mas certamente ela está exatamente como você projeta.

Se não encontramos motivos para sorrir ao abrir os olhos é porque não estamos vivendo nosso presente precioso. Ou vivemos de saudade do que passou ou do que poderá acontecer. Sendo assim, não estamos satisfeitos com nada e menos ainda percebemos o que há de bonito acontecendo agora. Não há uma fórmula mágica. Se existe, desconheço. O jeito que faço talvez nem seja o mais fácil, mas é a forma que encontrei de me desligar do que não existe mais e não esperar que o destino me dê um presente incrível em um amanhã que nem sei se acontecerá.

Meu exercício se chama gratidão. Acordar de manhã e agradecer por estar tendo a oportunidade de abrir os olhos. Agradecer pela chuva que cai, pelo sol que está nascendo, pelo almoço que estou comendo, pela amiga que estou encontrando e por tudo que estou fazendo agora.

Agradeço agora, inclusive, a chance de estar escrevendo esse texto, sem pensar se ele vai funcionar para uma ou mil pessoas. Gostaria que você também agradecesse esse nosso encontro que está acontecendo no tempo já. Eu daqui, você daí e algo muito especial que nos une nesse momento. Muito possivelmente eu não te conheço, mas agradeço por ser você a me ler agora.

Em que tempo você está vivendo? Espero que seja no hoje, pois o ontem já passou e o amanhã é absolutamente incerto.

Obrigada por existir e por estar aqui comigo nesse segundo de tempo que daqui a pouco já não existe mais.

Em qual tempo você está agora?

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Ju Farias
Não nasci poeta, nasci amor e, por ser assim, virei poeta. Gosto quando alguém se apropria do meu texto como se fosse seu. É como se um pedaço que é meu por direito coubesse perfeitamente no outro. Divido e compartilho sem economia. Não estou muito preocupada com meus créditos, eu quero saber mesmo é do que me arrepia. Eu só quero saber o que realmente importa: toquei alguém? É isso que eu vim fazer no mundo.



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