Desapego também é amor

Te amo. Sério, não cai nessa de que não é amor. É amor sim, é amor pra caramba. Não é pouca coisa. Só não é o mesmo amor que você conhece, mas ainda assim, é amor. Te quero bem, te quero livre e, às vezes, te quero longe. Eu sei que é estranho, mas é isso. Te quero longe porque te quero bem, porque nem sempre perto sou a melhor pessoa, tenho defeitos aos milhares, as vezes eles não cabem numa mala.

Parece estranho porque o amor que a gente conhece, não é amor, é apego. O apego é o excesso do querer. É te querer ao meu lado independente de tudo, acima inclusive, do teu querer. Não podemos cometer o erro de tomar posse um do outro. Por isso, quero te propor um amor livre, daqueles que ficam, mesmo sem precisar ficar.

Quero te ver sorrindo pra mim, mas quero que o mundo conheça o teu sorriso. Ele é lindo demais para que seja apenas paisagem dos meus olhos. Quero que você conheça o mundo, do mesmo jeito que eu o conheci, e volte, para me contar. Eu sempre estarei por aqui, esperando ansiosamente as suas grandes histórias, com um bom dia e o café-da-manhã pronto.

Vá viver o mundo, conhecer pessoas. Tenha certeza que a felicidade que você procura realmente está aqui e não em outro lugar. É que escolher amar alguém para a vida toda é mais complexo do que comprar um sapato. Vá aprender que a vida não é só as quatro paredes do teu quarto. Você precisa sentir coisas que nunca sentiu e experimentar momentos que nunca imaginou que aconteceriam. Vá crescer espiritualmente.

Quero tua liberdade como ninguém, porque te prender faz sentir-me culpado. Esse negócio de te chamar de minha é bom na cama, naqueles momentos íntimos. Seja de você e do mundo, minha quando quiser.

Vamos nos amar com desapego. Não me olhe com essa cara desconfiada, é que o desapego que você conhece na verdade é indiferença. Não cai nessa que desapego é frieza ou algum tipo de desamor. Não cai nessa que só a presença constante traz o amor, se fosse assim o que seria dos amores a distância? Desapego não se trata de esvaziar o coração, mas de mantê-lo cheio de um amor livre.

Às vezes nos machucamos tanto com algumas pessoas que começamos a praticar a indiferença com elas e em tudo. Assim, nos tornamos pessoas rasas, viciadas em relacionamentos superficiais, daqueles de uma noite, que nos tiram o gosto do desejo, mas fica por isso mesmo. Talvez a gente mereça uma sorte melhor.

E se a nossa tentativa de amar junto não der certo, a gente se ama na distância mesmo, ficamos naquela torcida silenciosa para que a vida do outro dê certo, em homenagem aos bons momentos, em respeito às vezes que brincamos de amor.

Vem cá, me dá a mão pra gente se amar? Deixa eu ser o aeroporto preferido dos seus voos, a torcida que comemora o gol. Vem que eu te ensino a desapegar de mim e te mostro o quanto pode ser bom, desapego também é amor.

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Francisco Galarreta
"Empresário, 26 anos, peruano, mas gaúcho de coração. Meu fascínio é observar as pessoas e compreender os sentimentos alheios. Sofro de empatia crônica e sou adicto em criar emoções. Como resultado destas características, nascem inúmeros textos sobre amor, relacionamentos e outras variáveis."



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