Por quê a gente parou de se falar mesmo?

Por Márcio Rodrigues

Quando foi que a gente percebeu que não ia funcionar mais?

A gente se falava tanto. Depois de tanto tempo sem alguma novidade para aquecer meus dias, eu gostei de te ver fazendo parte da minha rotina. Sempre gostei de receber seu “bom dia” com alguma puxada de assunto, nem que seja daquelas mais óbvias. Eu sempre gostei.

A gente se falava tanto, não é fácil desacostumar.
Quando não dava para te responder, eu te avisava. E o mesmo fazia você. Quando não dava para digitar, eu te enviava áudio. Quando não dava para enviar áudio, eu te escrevia. Funcionava assim e funcionava bem.

Passavam os dias e noites, os fins de semana. Te contava das séries que assistia e a gente perdia horas discordando sobre qual era a melhor e por quê. Eu gostava disso! Era engraçado, era divertido, era tão nosso.

Por quê a gente parou de se falar mesmo?
Será que te assustei com alguma coisa que falei? Será que você entendeu errado alguma coisa que eu pensei ter dito do jeito certo? Será que o problema sou eu? Ou você que simplesmente cansou e preferiu interromper? Será que você falava também com outras pessoas com a mesma intensidade que falava comigo? Será que você me via como eu comecei a te ver? São tantas dúvidas. E dói tanto ter dentro de mim a incerteza se eu que contribuí para este fim mesmo sem ter começado.

Há mensagens suas que releio.
É como se pudessem me levar de volta para aqueles dias, aqueles bons momentos que a gente vivia.

É difícil se derramar dentro de alguém e ver que o que era para completar acabou alagando. Por mais que eu tente pensar nos porquês, acaba pesando mais em mim a sensação da culpa ter sido minha.

Por quê a gente parou de se falar mesmo?
Isso é normal ou eu que esperava mais?
Será que você se pergunta a mesma coisa? Ou fomos só mais uma distração e um grande tanto faz? Complicado, né.

É difícil porque nem sei como tocar no assunto. Te vejo online e não sei muito bem se me cabe de perguntar o que houve. Parte de mim quer, parte de mim se pergunta se é mesmo necessário ou se a meia palavra já basta mesmo.

Seria a gente mais uma dessas relações de plástico que existem hoje em dia? Em que filmes são vividos em um dia e é ingenuidade esperar uma mensagem no dia seguinte? Isso me faz pensar em uma coisa: eu nunca fui assim. Eu nunca serei assim! Não gosto me entregar a quem não quer me receber. Vou pensar sobre isso, pensar sobre a gente.

Todo mundo merece um ponto final para aliviar o peso das vírgulas.

via Um Travesseiro para Dois

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