Já não sei se sinto saudade, ou se agradeço por você não ter voltado

Se eu começar contando a minha história, talvez você compare com qualquer novela mexicana. A única diferença, é que na minha vida, o drama é realista e não fictício.

O término de qualquer relacionamento é sempre difícil e dolorido. Quando estamos com alguém que gostamos, tudo é alegria. Se estivermos apaixonados, então, os erros tornam-se acertos e assim por diante. Ficamos mais tolerantes aos defeitos e mais empolgados com as pequenas causas. Nem sempre conseguimos notar os detalhes, pois, uma vez ao estar ao lado de quem queremos, o restante do mundo fica preto e branco.

Desejamos uma vida colorida. Uma sensação leve ao amanhecer, um sono profundo ao deitar-se. Dormir com a consciência pesada é, por vezes, uma questão de escolha. O amor não é perfeito. Quando somado a outros fatores contribuintes para a durabilidade de uma relação, ele é apenas mais um elemento. Eu arriscaria dizer, que ele é o principal, mas sem ele, quem sabe as coisas se ajeitem de alguma forma.

Descobri em você, um novo eu. Uma pessoa que se entregou, se dedicou e fez do possível ao impossível para acontecer. Eu tolerei as suas mancadas, me reergui dos seus deslizes, mantive a calma quando o momento era de agitação. E, finalmente, aprendi que o silêncio também é resposta. Você sugou toda a minha energia, desgastou o que era sereno, me fez descrente dos meus maiores sonhos. Você descartou a nossa felicidade. Jogou tudo no lixo, como se fosse descartável. Você não valorizou, em nenhum momento se colocou no meu lugar. Foi egoísta e pequeno para alguém que sempre tentou ser grande ao seu lado. Eu nunca tirei proveito da sua ignorância, também não joguei as pedras de volta. Ainda que não houvesse qualquer tipo de cuidado da sua parte, sobre os espinhos, você ganhava apenas rosas. Eu te respeitei, vivi intensamente cada segundo como se fosse o último. Desejando que, ao final de cada dia, a ansiedade de te ver continuasse correndo nas minhas veias.

Sabe, eu gostava dessa sensação de pressa. Tudo no seu tempo, e eu no seu relógio. As horas não passavam rápido, a saudade sempre aumentava. Eu não sabia que roupa vestir para te encontrar, se o me perfume ainda estava exalando, como eu poderia te agradar ou se eu tinha escolhido um bom lugar para te levar. Eu era insegura com você. E, não, você não tem nada a ver com isso. O problema, é que quando amamos e queremos estar junto, todo muito é pouco. Eu não me contentava com clichês, eu sempre gostei de inovar e te oferecer o que talvez, você nunca teve. Eu não sou romântica a moda antiga, onde as atitudes acabam sendo óbvias ou completamente previsíveis. Eu gostava de ver a sua cara de surpresa, a sua falta de reação diante de tudo o que fazia por você e, no fundo sabia, que para te ver sorrindo, nunca existiram empecilhos se dependesse de mim.

Às vezes, você voava para longe. Mas voltava logo, pois sabia onde pousar. Existia um ninho, que eu construi com todos os sentimentos bons que eu tinha por você. Eu zelava por nossa relação, me importava com você e não queria deixar que nada de ruim te afetasse. Eu te defendia com carne e unha. Colocava a mão no fogo, se apostassem comigo. Fazia qualquer peripécia que fosse necessária para te provar o meu amor e a confiança em você. Eu não tinha limites, mas você, sempre teve desculpas. Aliás, as mais esfarrapadas.

Acabou. Como uma fonte que seca repentinamente. Eu nunca me dei conta de que a reciprocidade é o que faz as coisas acontecerem e durarem. Eu pensei, que se eu fizesse por mim e pelo outro, nos bastaríamos. Fui completamente ingênua. Todo e qualquer relacionamento é uma via de mão dupla. Se um lado não está no mesmo sentido que você, pare de seguir. É desgastante e frustrante acelerarmos o passo e quando menos esperarmos, olharmos para trás e perceber que estamos sozinhos. Aquele amor, ficou estagnado. Não nos acompanhou, mas reparamos tarde demais. Entre um lado e outro, ficou uma lacuna. Um abismo. Portanto, continue em frente, esse é o sentido da vida. Se voltar para buscar quem não quer estar com você, provavelmente, se afundará em amarguras. Não se pede por amor, companheirismo é o básico. Estar juntos por conveniência ou interesse é o mais comum. Existe muita gente igual, quero me tornar única e insubstituível na vida de alguém.

Meu bem, eu não sei se sinto saudade ou se agradeço por você ter desaparecido do meu caminho. O meu trajeto ficou mais tranquilo desde que nos despedimos. Eu achei que fosse morrer por ter que seguir sozinha, mas quando consegui enxergar a situação de fora, eu caí na real de que nunca estivemos juntos. Se isso tivesse acontecido, algum dia na vida, certamente, você não teria me deixado escapar. Não que eu seja pretensiosa ou convencida demais, não é isso. Mas eu sei tudo o que estava te oferecendo e, digo mais, os meus planos ao seu lado eram muitos. O cronograma dos meus dias eram intercalados com as suas vontades, eu sempre pensei em você, por vezes antes de mim, e te inclui em tudo. Naquele momento em que olhei para trás e te vi bem longe, eu me senti incapaz de continuar. Mas quando respirei um pouco mais fundo, comecei com passos curtos a caminhar sozinha, até que, por fim, assumo que isso foi a melhor coisa que aconteceu. Não era você, não era para ser. Eu só quero alguém que entre na minha vida por nada, e torne-se tudo. Você sempre foi um vazio que eu preenchia com expectativas.

Não insista em algo que já acabou. Afinal, se algum dia voltar, tudo continuará desigual. Os ponteiros não param, embora estejam em sincronia, a distância permanece. Para consertar, você precisa reajustar. Mas pense bem, uma pessoa que te atrasa, não merece o seu tempo. Pare, somente, para dar um forte impulso. Caso contrário, a solidão é o melhor remédio para curar o seu coração partido.

Eu queria muito que morássemos perto, bem pertinho.

Apenas, mude.

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Jéssica Pellegrini
Nunca confie em uma escritora confusa e romântica. As controversas entre um texto de amor e outro de desilusão, podem causar questionamentos pessoais. Consequentemente, sequelas mais graves.



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