Hoje eu acordei querendo levar um fora

Hoje eu acordei querendo levar um fora. Um fora bem dado. Um fora de verdade. Hoje eu acordei querendo que você excluísse todas as possibilidades, que você destruísse todas as minhas esperanças. Hoje eu acordei querendo parar de enxergar “Sim” onde na verdade existe “Não”. Parece loucura querer ser descartada. Mas sim, hoje eu acordei querendo. Queria que você fosse firme a ponto de dizer: “Natália, segue sua vida, desencane de mim, parta pra outro.”. Hoje eu não queria palavras cuidadosas, que deixassem possibilidades no ar e me mantivessem na sua. Hoje eu não queria ouvir que sou sua amiga. Não sejamos hipócritas. Nunca fomos amigos. Já nos conhecemos com um intuito que não era o de amizade. Eu não beijo meus amigos, eu não me torno líquida para meus amigos, e muito menos me derreto em confissões românticas a eles. Ao falar que é meu amigo, você me ofende. Ao falar que é meu amigo, você liquida tudo que eu passei com você. Por favor, não tire a verdade que existia em meus olhos quando eles te olhavam. O meu olhar nunca foi de amizade. Pra mim sempre foi tudo ou nada, eu te alertei. Antes eu apostava no Tudo e agora, por favor, eu quero que você deixe claro pra mim o Nada. Não me peça de novo o 40. Tem que ser 8 ou 80. Eu queria 80 mas diante do seu 40, eu opto pelo 8, pelo zero, pelo nada.

Hoje eu acordei pedindo que você fosse sincero comigo, mas temendo que você maneirasse nas palavras e nas argumentações, me escondendo os reais motivos. Hoje eu acordei querendo libertação para o meu coração. Hoje o que há dentro de mim também acordou e viu que isso precisava ter um fim. Sem prorrogações. Sem reticências. Ou você escreve esse livro junto comigo ou você finaliza sua participação deixando apenas o seu capítulo. Um capítulo que pra mim foi metafísico mas que diante do que meus olhos viram hoje eu nem sei mais se foi real. Acho que nos confundimos. Você achou que eu era alguém que eu não era, não sabia da minha intensidade. Eu achei que você era alguém que você não é; no fundo, você não admite, mas já tem alguém em seu coração. Eu fui sua distração. Você foi a minha atenção. Olhos, boca, coração. Tudo voltado pra você.
Hoje eu acordei querendo que você me sacudisse e me expulsasse da sua vida. Mas nem foi preciso. De tanto querer, meus olhos viram o que era tão óbvio. Eu acabei tropeçando nos vestígios do seu passado, que na verdade ainda é presente. De tanto querer, eu consegui os motivos para eu me convencer daquilo que você já vinha tentando me convencer desde a semana passada: não vale a pena. Não, não vale. Você esteve certo esse tempo todo, só eu não vi.

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Nat Medeiros
“Sou personagem de uma comédia dramática, de um romance que ainda não aconteceu. Uma desconselheira amorosa, protagonista de desventuras do coração, algumas tristes, outras, engraçadas. Mas todas elas me trouxeram alguma lição. Confesso que a minha vida amorosa não seguiu as histórias dos contos de fada, tampouco os planos de adolescência. Os caminhos foram tortos, íngremes, com muitos altos e baixos e consequentemente com muita emoção. Eu vivo em uma montanha-russa de sentimentos. E creio que é aí que reside o meu entendimento sobre os relacionamentos. Estou em transição: uma jovem se tornando mulher experiente, uma legítima sonhadora se adaptando a um mundo cada vez mais virtual. Sou apenas uma mas poderia ser tantas que posso afirmar que igual a mim no mundo existem muitas e é para elas que escrevo: para as doces mulheres que se tornaram modernas mas que ainda acreditam nas histórias de amor.”



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