Esperava outra reação sua

Por Márcio Rodrigues

Vou mentir se eu falar que, pra mim, foi tudo bem o jeito que reagiu depois de tudo que te contei. Vou mentir se eu falar que sou compreensivo e entendo você. Minha cabeça até pode tentar explicar, mas meu coração não consegue entender. E este é o problema.

As teorias dizem coisas que o coração contradiz.

A todo momento era eu ponderando sentimentos na tentativa de me proteger. Metade do meu cérebro falava que era melhor eu reduzir minhas expectativas, a outra metade, porém, falava que era melhor eu continuar como sou: aquele eterno otimista, aquele que prioritariamente enxerga o lado bom. É uma lógica muito efetiva para decorar.

Só que a vida real nem sempre tem os finais felizes dos filmes.

Me preparei para descrever o melhor dos sentimentos por você. Me preparei para abrir meu peito e te convidar para entrar. Me preparei para te revelar que eu não te via só como uma amiga. Me preparei tanto.

É que às vezes o segredo está justamente em não se preparar, mas sim em só confessar sem medo de errar.

Você entendeu diferente. Ou entendeu certo e agiu diferente. Ou agiu de forma correta mas diferente do que eu esperava. E bingo, temos: eu esperei tanto uma reação sua através dos sinais que me dava, mas esperei por algo que não chegaria.

Tentei roteirizar uma história que tem o coração como diretor.

Você disse estar vivendo outra coisa. Outra fase.
E sua honestidade flechou meu peito e cada uma das minhas esperanças. Dormi tentando te culpar para me evitar sofrer, sem perceber que não havia errados nisso tudo, não era eu e nem você.

Te contar meu sentimento foi só um pedágio na estrada da sua vida, algo para parar e prestar atenção, mas superar e seguir viagem. Você viu como fim o que eu via como começo.

E a minha raiva é não poder apontar culpados. Fico furioso ao ser obrigado a admitir que: as coisas simplesmente podem ser assim, isto é, raramente alguém vai reagir do jeito que a gente espera. Esta é uma das rotinas da vida.

E tudo isso em nada tem a ver com idade, imaturidade ou coisa que o valha. É muito mais sobre as rasteiras que a vida dá na gente sem que percebamos. E sobre como é importante levarmos essa mesma vida como uma trilha na floresta: cheia de obstáculos até que possamos ter uma vista boa do que há de mais bonito.

Ainda bem que nós, os otimistas, nunca cansamos de caminhar, né? É.

via Um Travesseiro para Dois
@marciorodriguees

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