Corrosiva

Eu não sei te dizer onde estou, mas eu sei te dizer exatamente onde não estou: Eu não estou ao seu lado, eu não estou nos seus planos, eu não estou onde eu quis chegar, eu não estou onde me propus a ir, eu não estou na Lua e, mesmo que estivesse, lá ainda não seria o lugar.

Eu não estou nos livros que eu lia, eu não estou nos filmes que eu costumava assistir, eu não estou em você mas eu também não estou mais em mim.

Na ânsia de querer te encontrar, eu perdi uma parte de mim. Na ânsia de querer te alcançar, eu perdi os sinais do caminho, os meus rastros se apagaram, eu não sei mais voltar para onde eu estava e tudo ao meu redor contém um aviso de “Perigo!”.

Eu fui perdendo um pouco a esperança a cada passo que eu dava e agora eu estou na desordem. Alguém me diz que preciso criar tudo novamente. Pra quê? Pra quem? Porque “Pra mim mesma” já não é resposta suficiente.

Eu estou olhando o relógio só para ver até onde isso irá durar e cada minuto é eterno e carrega em si segundos que não passam, dores que não passam, e também, sonhos que não ficam.

As suas palavras tiverem o poder de me fazer desistir da única coisa que eu queria por ora tentar. Você vale a pena, embora queira me convencer do contrário. Você vale muito a pena, na verdade. Como não vê? Como me conformar? Sem forças, eu me rendi…

E agora, após a tormenta, nada me restou, nem mesmo quem eu era antes de você chegar. As suas palavras vieram no sentido de me libertar, de me fazer desapegar e seguir o meu caminho. No entanto, a libertação que você me deu acabou se tornando uma sentença…

A cada hora que passa, a cada dia que muda, a cada mês que se vai… eu percebo o quanto eu sou extremamente corrosiva.

A verdade é que a única certeza que tenho é que nunca mais me verei refletida nos seus olhos e isso era crucial pra mim. E eu sei que tudo isso parece um tanto desconexo, mas é ao mesmo tempo apenas e tudo o que eu consigo dizer agora. Estar refletida em seu olhar… era esse o lugar que eu escolheria se me fosse dada a possibilidade de escolher dentre todos os lugares do mundo. No entanto, eu sei que este não é o meu lugar. Os seus olhos não são meu lugar porque eu sou extremamente corrosiva.

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Nat Medeiros
“Sou personagem de uma comédia dramática, de um romance que ainda não aconteceu. Uma desconselheira amorosa, protagonista de desventuras do coração, algumas tristes, outras, engraçadas. Mas todas elas me trouxeram alguma lição. Confesso que a minha vida amorosa não seguiu as histórias dos contos de fada, tampouco os planos de adolescência. Os caminhos foram tortos, íngremes, com muitos altos e baixos e consequentemente com muita emoção. Eu vivo em uma montanha-russa de sentimentos. E creio que é aí que reside o meu entendimento sobre os relacionamentos. Estou em transição: uma jovem se tornando mulher experiente, uma legítima sonhadora se adaptando a um mundo cada vez mais virtual. Sou apenas uma mas poderia ser tantas que posso afirmar que igual a mim no mundo existem muitas e é para elas que escrevo: para as doces mulheres que se tornaram modernas mas que ainda acreditam nas histórias de amor.”



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