Nós, os que vivem no fantástico mundo da lua

O mundo passa rápido por nós. Andamos distraídos, tropeçando em nós mesmos. Vários universos se entrelaçam dentro da gente. Não somos esnobes, nem prepotentes, só estamos distantes prestando atenção às vozes que habitam nossos corações.
 

Dentro de nós existe um milhão de possibilidades. Perguntas pedem respostas e elas podem vir em horas não tão apropriadas. Ideias surgem e nos saltam da boca, rasgando o tempo e denunciando que não estávamos onde achavam que deveríamos estar.

Muitas vezes simples palavras ditas ao acaso, por outros, se misturam em nós e viram enredo para um filme que se passa só em nossa cabeça. E quando o filme começa muitas vezes a gente esquece de ouvir o que os outros tem a dizer. Mas não é por muito tempo, sempre voltamos à realidade, mais cedo ou mais tarde.

Vivemos no mundo da lua. Diziam antigamente que quem vivia lá era lunático, ou melhor, louco. Então somos um pouco assim e quem nos ouve com a razão sempre se atrapalha.

Não nos enquadramos em todos os lugares, não falamos todas as línguas e muitas vezes preferimos nos deixar quietos a nos declarar.

Guardamos em nosso silêncio um mar de palavras que tornam a vida intensa e interessante dentro da nossa cabeça.

Comumente esquecemos de nos apresentar. Ignoramos lamentavelmente um “oi” para dizer das coisas bonitas que descobrimos em nossas andanças. Inúmeras vezes passamos divagando pelo mundo, deixando de olhar para os lados.

Não temos nada contra ninguém. Não fingimos ignorar. Não negamos acenos ou apertos de mão. Apenas estávamos em outro tempo, em outro espaço, vivendo outras histórias.

Colocamos uma música nos ouvidos e viajamos nela, desligamos o botão da atenção e dançamos descompassados pela vida. Esquecemos o arroz no fogo, a torneira ligada, a luz acesa.

Perdemos as chaves, nunca lembramos todos os nomes e muitas vezes apertamos duas vezes a mesma mão.

Sentimos um calafrio quando nos perguntam “Você se lembra de mim?”, pois quase sempre não nos lembramos.

Guardamos coisas e depois nos esquecemos delas para encontrá-las lá no futuro como se fossem presentes mágicos do tempo para nós.

Detestamos a imposição dos horários. A imposição diplomática das coisas que tem que ser ditas ou feitas.

Resumimos discursos enfadonhos em um desenho que tem significado apenas em nós. Nos esquecemos às vezes de comer, de ligar, de ir, mas corremos afoitos atrás do tempo quando a percepção nos assalta.

Temos bom coração. Gostamos das pessoas e as transformamos em personagens de contos de fadas. Elas são mocinhos, bruxas e fadas que infestam a realidade mágica que nos habita.

Aceitamos viver em um mundo cheio de razão, mas somos nele emoção pura, como se de sonhos tivéssemos sido feitos. Caminhamos pelo cinza enchendo de cor tudo a nossa volta e deixamos furiosos apenas os que teimam em apagar as cores dos nossos sonhos prendendo com força nossos pés ao chão.

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Vanelli Doratioto
Vanelli Doratioto é uma escritora paulista, amante de museus, livros e pinturas que se deixa encantar facilmente pelo que há de mais genuíno nas pessoas. Ela acredita que as palavras são mágicas, que através delas pode trazer pessoas, conceitos e lugares para bem pertinho do coração.



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