Nós amamos mulheres malucas

Por Thiago Lira

As equilibradas que me perdoem, mas maluquice é fundamental. Queremos mulheres a beira de um ataque de nervos. Mulheres que cantem bem alto o que querem e dancem sozinhas no meio da sala, girando na frente dos convidados do jantar, logo depois de pedir a eles que se retirem pois “o casal agora vai para o quarto”. Queremos mulheres que cuspam na nossa cara as inquietações, as vontades e não-vontades, a maluquice de sempre, porque mulher sem maluquice não é mulher, é um trofeu que você esquece no alto da estante.

Mulher tem que ser doida de pedra. Mulher que não enlouquece, não embarga a voz, não lacrimeja porque a quiche não ficou boa, o bolo solou, o esmalte borrou. Essa a gente prefere olhar de longe, desconfiado. Aí tem coisa muito errada. Mulher que não soluça em novela mexicana? Mulher madura, calma? Não, essa não. A gente ama é um dramalhão.

Se elas não saem do sério a gente não se sai bem no amor. A patricinha montada e sonsa nos cansa e a perfeita elegância das modelos longilínias e impecáveis nos entedia. Queremos unha quebrada. Grito assustado no meio da noite. Abraço com lágrimas de “cuida-de-mim”. Queremos dizer “não foi nada” quando elas ralarem a lanterna traseira do carro no pilar da garagem.

Quanto mais louca mais linda, mais apaixonante. A fragilidade emocional da mulher não edifica uma pseudo-superioridade masculina. Essa fragilidade pode ser o combustível da ternura, do afeto. Podemos até admirar mulheres duronas, equilibradas, constantes. Mas o que nos deixa desnorteados, patetas apaixonados, bobos mesmo, é a mulher maluca. Só a mulher maluca é capaz de fazer gato e sapato da nossa vida.

Por isso eu adoro Mabel, a personagem adorável do filme “Uma Mulher sob Influência”, de John Cassavets. Ela é só um exemplo de mulher amada intensamente por ser exatamente o que é – apaixonantemente maluca.

Para ler mais do autor acesse Obvious – Cinema Shots

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A Soma de Todos Afetos
Blog oficial da escritora Fabíola Simões que, em 2015, publicou seu primeiro livro: "A Soma de todos Afetos".



23 COMENTÁRIOS

  1. Que coisa mais antiquada e machista de falar das mulheres, isso é ridículo, tratar espontaneidade, alegria, descontração, emotividade, como maluquice… É só uma forma masculina de desqualificar a mulher: Nao a leve tão a sério, ela é maluca… Faça-me um favor? Pare!

  2. Sempre tem umas e outras para chamar de machismo. Agora entendo completamente a frase: “Falta amor, mas também falta interpretação de texto.”

  3. Enquanto tem “umas e outras” pra não deixar rótulos machistas passarem têm outras que não se incomodam em ter que sempre tentar se adequar a ideais masculinos de que tipo de mulher eles se apaixonam. Sejam seres humanos por favor! amem quem quiserem amar sem rótulos, sem clichês, cada uma de nós é única, singular. Não somos bonecas, nem desequilibradas descoladas, blá blá blá, BLÀ… somos quem escolhemos ser. Sejam capazes de olhar além do horizonte e descobrir em você o que te atrai numa mulher. Eu não sou doida, nem maluca, nem equilibrada, nem inteligente, eu sou Helena a minha moda de ser, assim como cada mulher deveria ser a sua moda sem comparações.

  4. Ah, eu gosto muito da minha louca… Mulheres são loucas, e ao ler este texto me fez pensar o quanto isso me agrada…. Me fez ver que uma das muitas coisas que me encantam nesta baixinha é a sua “loucura”, isso mexe comigo e me atrai como um imã… Ela é uma baixinha invocada, me faz comprar um sorvete pra ela e um pra mim, e depois me faz comer os dois porque não gostou, me faz ligar o ar quente porque está frio, depois me faz desligar porque está quente, meu Deus, que mulher louca! Mas a pergunta é: troca ela por uma “normalsinha”? Não! Essa loucura dela me completa, sou louco com ela… Com ela as loucuras são gostosas, alegres e leves… Sem culpa e sempre com um gostinho de quero mais…. Então, gostaria de agradecer a Deus por colocar no meu caminho a minha louca, e quem tem a sua, que cuide muito bem dela! Alimente a sua loucura sempre, a escute, a console a entenda… Outra pergunta: sou louco por gostar de uma louca ou sou um apaixonado? Apaixonado com certeza, agora louco…..Acho que sim… De apaixonado e louco acho que todos tem um pouco…

  5. Uma coisa é ser maluca no sentido de espontânea, intensa, personalidade forte, geniosa. Mas gente implicante que fica enchendo pra que o outro faça suas vontades…isso não é legal em relação nenhuma. Que grita por tudo e não está satisfeita com nada. Intensidade e verdade é tudo de bom.

  6. Espontaneidade, bom humor, falta de timidez não deveriam ser chamados loucura. Assim como há vários tipos de mulheres, também há vários tipos de homens. Mulheres costumam adorar homens bem humorados, ativos e gentis. Já os críticos e frescos queremos longe. Trata-se da preferência geral e o lado bom da escolha. Veja que em geral as “louquinhas” são em geral também mal educadas e não respeitam limtes. Porque ninguém agrada sempre a todos. O texto é superficial.

  7. Amei o texto!!! De fato parece comigo…..Mas creio que os “homens” com qual me relacionei…ou até os que tem medo de mulheres relativamente independentes,se assustam,tem pânicos de mulheres destemidas e “malucas”….porém não vou mudar,creio que alguém irá me aceitar assim…maluca,chorona,frágil ,forte etc…!!!!

  8. Sou bem maluca, sensível, chorona, maluca de novo. Falo o que penso e demonstro o que sinto, agradeço a Deus por meu namorado gostar de mim do jeito que sou, e ele sempre deixa claro que o que chamou atenção dele em mim, foi a minha loucura.

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