Madrugada, café e saudade

Acabei de abrir a gaveta da memória e tirar de lá o seu sorriso mais bonito.

Aquele que você me dava quando eu não conseguia sorrir.

Guardei também alguns olhares e muitos abraços, pra tirar do baú quando eu deixar de acreditar que felicidade existe.

Não foi perfeito, mas foi tão lindo, né?

Às vezes eu me pergunto se você também tem uma gaveta assim, parecida com a minha.

Que só você pode mexer, e usar o que tem dentro, naqueles dias cinzentos.

Com aquele beijo demorado, aquela despedida que doeu tanto e aquele reencontro tão doce.

Aquelas minhas frases escritas só pra você, com alma, corpo e coração e aquela saudade que transbordava e virava lágrima.

Sei lá, dizem que se houve amor, a gente nunca esquece.

E agora faz um bem relembrar.

Que você existiu na minha vida, e me fez perceber que amar (algumas vezes) dói, mas ainda sim vale a pena.

Ter você foi como voar sem asas. O tombo veio, mas a vista lá de cima foi uma das coisas mais lindas que meu coração já conseguiu enxergar.

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Karla Tabalipa
Feminista em (des)construção, mãe do Pedro, viciada em filme água com açúcar e literatura. Estudante de Letras, Leitora compulsiva de blogs (principalmente os feministas) e apaixonada por Virginia Woolf, Sylvia Plath, Hilda Hilst, Caio Fernando Abreu e Hemingway. Ouço mil vezes a mesma música, sinto milhares de vezes a mesma saudade e coleciono muitos nós na garganta, palavras não ditas (porém escritas e reescritas) e culpas que não são minhas. Das perdas mais dolorosas que sofri, me perder de mim foi a pior delas. Mas aos trancos eu aprendi que eu sempre me reencontro, me refaço e (me) recomeço, leve o tempo que levar.



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