Ei garota, vira mulher vai! Antônia no Divã

Garota, nós precisamos conversar. Não adianta você andar com look da hora, se tua atitude é mais baixa que o cós da calça. Não, não tô falando do teu armário, fofa, você usa o que quiser. Só não se esqueça que caráter nunca sai de moda, já essa atitude de ver em qualquer mina, uma inimiga, devia ter sido aposentada junto com a coleção passada.

Garota, senta aqui e me escuta direitinho. Ninguém tem inveja de você, é serio. Você pode guardar o seu passive-agressive facebookiano porque ninguém liga para o que você tem a dizer “prazinimiga” ou “prazinvejosas”. A gente tá muito preocupada pagando boleto da Leroy Merlin – coisa de adulto, sabe?

Então pare agora. Até porque, você deixa o resto de nós, mulheres, mal faladas. Sim, porque alguém pode achar que esta tua atitude de garota “que adora causar”, sempre competindo, é coisa de gênero, e não é. É coisa de menina, e deveria ter ficado lá no tempo do recreio. Então apenas pare. A única coisa que você causa com esse papinho de “recalque das queridinhas” ou “ameaça das ‘miga loka'” é uma preguiça tremenda para questionar tuas prioridades. Inveja mesmo a gente tem do biótipo da Gisele Bundchen, mas ainda assim, torce que ela siga maravilhosa, bem casada e feliz, como todas nos queremos ser – TAMBÉM E AMÉM. De você, a mulherada que rala só inveja mesmo o tempo e energia que pareces ter de sobra para frivolidades.

Garota, cresça. É sério, vai te fazer bem.

Garota, olha só, apenas você acha malandragem pegar o cara com namorada. Eu sei, a responsa (ou falta dela) é toda do boy comprometido, mas não se coroe rainha do baile somente porque ele te dedica alguns nudes na madrugada, enquanto manda flores para a namorada. Isso não te faz mais esperta, somente te faz a outra, e você merece bem mais que isso. Aliás, toda mulher merece mais que isso. Garotas sim, costumam bater no peito arrotando satisfação ao dividir furtivamente a carne. Não seja aquela que come restos. Só quem não tem escolha faz isso. Seja mulher, e não uma rêmora (Google-it!)

Garota, a gente precisa conversar. Esse mundo já esta difícil demais com a competição de gêneros, de mercado, de trabalho. Não faça da tua existência social um desfile para decidir quem é a mais bonita, mais sincera, mais fodona. Garota, a gente precisa se ajudar, sabe? Andar juntas, apoiar as colegas, defender as minas. A gente já passou da fase de disputar atenção do papai ou do garoto novo da 4ª série, até porque já entendeu que o sol brilha para todas. Vamos parar de elencar razões pelas quais as morenas são para casar, as loiras transam melhor, e as ruivas são as mais safadas. Pare de nos separar entre as casadas e as solteiras como se fossemos de facções opostas, prontas para comer o rim umas das outras. E também chega deste papinho de achar que todo mundo quer o seu homem, tá cheio de piroca e pautas mais importantes por aí, pode ficar tranquila. Já tem ódio e abuso demais no caminho que recebe os nossos passos – nós precisamos é de acrescentamento, e não de divisão. Interrompa todo e qualquer discurso que defenda a competição entre nós (nos blog, vlogs, nas telonas, telinhas, livros, música, todo e qualquer beijinho no ombro). A gente faz parte do mesmo grupo, o da Luluzinha, lembra? Girl Power!

Então veja, garota, não vamos cair na treta de falar da coleguinha porque ela fez preenchimento labial, é mãe solteira ou porque ganhou uma promoção. Vamos comemorar as coleguinhas, porque julgar, apontar, caluniar é coisa de garota, daquelas que nunca queriam emprestar a Barbie nova. Nós já estamos bem grandinhas, e não precisamos medir o tamanho do grelo pra provar nosso valor. Se nem pra eles, por que então entre nós? Não, garota, assim você faz feio. Quando rir da outra porque viu o marido dela no Tinder, lembre-se de que um dia você também vai querer confiar em alguém. E quando comemorar que a outra engordou, lembre-se que isto não prova que você é superior, apenas confirma tua pobreza de espírito. Larga deste veneno disfarçado de desculpa de que isso é “coisa de mulher”. Não é não, mocinha, é coisa de garota. Detenha com essa mania de chamar as outras de vaca, pudica, vadia, frígida, putona, porque elas pensam ou agem diferente de você. Achar que de alguma forma tu és melhor que as outras, é coisa de garotinha. E já passou da hora, de você se assumir e virar mulher.

Ei garota, pára de meninice e vira mulher, vai. A gente tem mais o que fazer, como mudar o mundo, por exemplo.

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Antônia no Divã
Uma questionadora fervorosa das regras da vida. Viajante viciada em processo de recuperação. Entusiasta da escrita. Uma garota no divã figurado e literal. Autora do blog antonianodiva.com.br.



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