Afinal, o que querem as mulheres?

Muitas pessoas, em sua maioria homens, afirmam que as mulheres não sabem o que querem, que se contradizem e mudam de opinião acerca de tudo a todo tempo. Da mesmíssima forma como ocorre com o sexo masculino, podemos mudar de opinião constantemente, descobrir e redescobrir nossos desejos, ir do amor à indiferença, se assim quisermos. Mas, pensando nas mulheres com quem convivo, posso assinalar algumas coisas que desejamos.

Queremos, da mesma forma que os homens, gozar da liberdade de vestirmos o que bem entendermos sem que precisemos nos preocupar com qualquer tipo de preconceito ou assédio. Que nosso caráter e nossa disponibilidade sejam medidos por nossas palavras, e nunca pelo tamanho de nossas saias.

Queremos a paz de ter nossos corpos e vidas livres de todas as construções machistas que ainda estão por aí nos cercando, nos melindrando, nos diminuindo aos pouquinhos. Que não nos empurrem padrões de beleza, que, por hipótese alguma, nos designem papeis que não desejamos cumprir, e que parem de reforçar, dentre tantas outras tristes ideias, que o homem é a vítima no casamento.

Queremos ser vistas e tratadas como seres humanos complexos e ricos que somos, e não como meros pedaços de carne. Que os olhares que diariamente percorrem nossos corpos em busca de coxas e seios, experimentem se colocar em nossa posição, de corpos que são facilmente taxados de gostosos ou feios, de “pegáveis” ou não. Os olhares não devem desconsiderar que somos sujeitos de nossa sexualidade, não objetos da sexualidade alheia.

Queremos, com todas estas exigências, que entendam que não somos e nem queremos ser melhores que os homens, buscamos apenas a igualdade, o que é justo, o que nem deveríamos ter que pedir porque respeito já deveria ser nosso, mas que muitos não enxergam.

Queremos, acima de tudo, que não melindrem e banalizem nossos apontamentos acerca daquilo que nos atinge, que não intitulem frescura o que somos nós exercendo nosso direito de luta.

Não é preciso saber tudo, basta entender o que reivindicamos. Alterar todas estas ideias e comportamentos do dia para a noite é realmente utópico, pois ainda há toda uma cultura que nos desfavorece. O que queremos é que, ao invés de ajudar a alimentá-la, que passem a se juntar a nós nessa constante análise e crítica, desconstrução e construção de valores e comportamentos. Para que, exatamente da forma como o feminismo propõe, atentando-nos aos pequenos detalhes do cotidiano, através do diálogo, do descobrimento e encontro de nossos ideais, possamos ser igualmente beneficiados, possamos crescer juntos.

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Patrícia Pinheiro
Gaúcha e estudante de Psicologia. É escritora e revisora de textos na Sociedade Racionalista, colunista do CONTI outra, artes e afins, Fãs da Psicanálise, Inspiring Life e escreve, ainda, para o Blogueiras Feministas; Brasil Post; Benfazeja; Psiconline Brasil e Puta Letra. É feminista, apaixonada por moda e assumidamente viciada em filmes e séries. Ainda irá viver da escrita.



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