O dia em que me ex me deu um pé na bunda (PARTE 1)

Era 5 de Janeiro de 2012, eu me lembro bem porque isso ocorreu dois dias antes do meu aniversário…

Bem, contextualizando a história: desde Julho de 2011 eu estava na fossa das fossas. Meu ex havia terminado comigo devido nossas constantes brigas e eu estava desolada. Perdi o sono, perdi o apetite, perdi 6 quilos, perdi a vontade de qualquer coisa que não estivesse relacionada a uma possível volta. Não era segredo pra ninguém: eu queria reatar o namoro. E isso também não era segredo para o meu ex, ele mais do que ninguém sabia disso. Ele, muito esperto, não me dizia um “Não” mas também não me dava um “Sim” e durante sete meses eu fui atrás dele e durante sete meses eu fui cozida em banho maria. Mesmo sabendo disso, eu continuava lá, disponível, sem perder as esperanças.

Na noite de 4 de janeiro ele foi à minha casa consertar um chuveiro. Vê-lo, após tanto tempo, acabou acendendo mais uma vez as minhas esperanças, principalmente porque ele acabou me confidenciando com palavras claras que não estava envolvido com ninguém. Mas nenhum de nós tentou uma aproximação. Apesar de querer tomar uma iniciativa, sempre fui muito na minha. Mas confesso que fiquei muito esperançosa com a visita dele. Não medindo esforços para agradá-lo, ainda dei a ele um vinho e um panetone maravilhoso que eu havia ganhado nas festas de fim de ano (observem o nível do desespero).

Então o fatídico dia 5 de Janeiro chegou. Estava eu em casa com minha irmã e uma amiga. Estávamos assistindo o filme “Qualquer Gato Vira-Lata”. Pra quem nunca assistiu, o filme conta a história de Tati (Cléo Pires) uma garota que namorava o lindo do Marcelo (Dudu Azevedo). Tati era apaixonada e romântica, Marcelo era galinha. Essa história não poderia caminhar bem e no dia do aniversário dele, o que ele faz? Termina o namoro com a pobre Tati no meio de um bar na frente de todos os seus amigos e de uma possível ficante. Tati vai embora chorando na chuva e se encontra com uma amiga, que a consola. Desesperada, ela diz que é muito azarada, visto que Marcelo havia terminado o namoro com ela no dia do aniversário dele. Sua amiga logo contesta: “Pior teria sido se fosse no dia do seu aniversário, Tati”.

E foi aí que eu me dei conta que estava chovendo muito e eu havia deixado a janela do meu quarto aberta, com o meu notebook ligado próximo a ela. Pausei o filme e corri até o quarto na esperança de salvá-lo. Quando cheguei, constatei que o notebook havia se molhado um pouco, nada grave, peguei uma toalha e comecei a secá-lo. Quando toquei no mouse, o monitor se reacendeu. E a primeira coisa que vi foi uma atualização de status de relacionamento no Facebook: “Ex-namorado da Nat Medeiros está em um relacionamento sério com a Fulana de Tal”. Meu mundo caiu.

Voltei em prantos para a sala, onde estavam minha amiga e minha irmã. “Como assim ele havia feito isso comigo? Ontem ele estava na minha casa, de certa forma me deixando pensar que ainda era possível uma volta, e hoje ele assume um namoro com outra? Dois dias antes do meu aniversário! Dois dias”. Inacreditável. Isso sim era azar!

O cara sabia que eu ainda era louca por ele, o cara não queria me dizer um “Não” porque se qualquer coisa desse errado ele ainda me queria lá, esperando por ele. Mas manter minha expectativa viva e assumir namoro com outra logo depois foi demais… Liguei pra ele pê da vida (até porque ele havia me garantido no dia anterior que não estava envolvido com ninguém). Soltei os cachorros, falei tudo que eu não tinha falado nesses sete meses porque ainda sentia esperança de voltarmos. Desliguei o telefone com uma decisão em mente… Uma decisão que mudou completamente o rumo desta história…
(Continua no próximo capítulo)

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Nat Medeiros
“Sou personagem de uma comédia dramática, de um romance que ainda não aconteceu. Uma desconselheira amorosa, protagonista de desventuras do coração, algumas tristes, outras, engraçadas. Mas todas elas me trouxeram alguma lição. Confesso que a minha vida amorosa não seguiu as histórias dos contos de fada, tampouco os planos de adolescência. Os caminhos foram tortos, íngremes, com muitos altos e baixos e consequentemente com muita emoção. Eu vivo em uma montanha-russa de sentimentos. E creio que é aí que reside o meu entendimento sobre os relacionamentos. Estou em transição: uma jovem se tornando mulher experiente, uma legítima sonhadora se adaptando a um mundo cada vez mais virtual. Sou apenas uma mas poderia ser tantas que posso afirmar que igual a mim no mundo existem muitas e é para elas que escrevo: para as doces mulheres que se tornaram modernas mas que ainda acreditam nas histórias de amor.”



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