Eu não sabia, por Ita Portugal

Eu não sabia que a saudade incomodava, que o amor era tanto e que a vida doía.

Não sabia que a mágoa machucava, que a lembrança desbotava e que a aspereza enrugava.

Eu não sabia que o caminho era longo, que as pedras incomodavam e as curvas confundiam.

Eu não sabia que o silêncio torturava, o desejo salivava e a distância traria o esquecimento. Também não sabia que a ironia maltratava e que em todos os tempos o fingimento não tinha graça nenhuma.

Eu não sabia que a preocupação esquentava a cabeça, que a noite se afeiçoava com a solidão. Eu desconhecia sobre os interesses fúteis como praga que contaminava os dias. Isso eu não sabia.

Eu não sabia que o choro era sinal de fraqueza. Pensei que arejava a alma, em algumas situações. Não sabia que as mães eram heroínas, mesmo que os filhos nem se deem conta disso, nem que os pais fazem um esforço danado para parecem certos o tempo todo com seus sermões quilométricos.

Eu não sabia que a alma fica doente e o corpo padece com isso. Que o coração é lugar para dúvidas e a razão nunca é obediente.

Eu desconhecia o sofrimento como escada para a felicidade, que o medo fragilizava e que havia um abismo entre o sonho e a realização.

Eu não sabia que o universo conspira a favor de quem faz a sua parte. Que sorte é quase uma fábula e que o discurso só funciona quando é resultado de uma prática.

Não sabia que era preciso tanto esforço para viver em um mundo contraditório.

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Ita Portugal
Maranhense, pedagoga e insistente para que suas palavras tomem o rumo da vida e façam arruaças afora como sinal de esperança, alegria e amor.



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