Como superei o fora que meu ex me deu (PARTE 2)

Leia a primeira parte dessa história

Após o meu ex ter me dado um fora praticamente no dia do meu aniversário eu tomei uma decisão: eu ia dar uma guinada na minha vida, eu ia levantar a cabeça e mostrar não só a ele, mas a mim mesma o meu valor.

Eu havia passado por cima do meu orgulho porque eu tinha um sentimento que era maior que a minha razão. Eu já tinha feito tudo que eu podia: tinha ido atrás, tinha demonstrado o quanto eu queria que a gente reatasse. Só restava uma coisa a ser feita: nada mais fazer. E foi exatamente isso que aconteceu. O primeiro passo foi desativar o meu Facebook, eu precisava me desligar de todas aquelas informações, eu precisava sair um pouco de cena.

Eu estava de férias, então eu usei todo o meu tempo para cuidar de mim mesma: me isolei um pouco do mundo, renovei o visual e a cor do meu cabelo, malhei, enfrentei os meus vazios, preenchi-os.

Após algumas semanas nesse detox do coração eu decidi dar um outro passo: encarar novamente a vida social. Há muito tempo eu não ia a uma balada e eu senti que era novamente a hora. A oportunidade veio quando uma amiga me chamou para ir em um evento com ela. Além dela, estavam indo também o seu namorado, o irmão dele e uma outra amiga nossa.
Chegando no local da festa, que era um sítio fora da cidade, eu tive uma grande surpresa, se é assim mesmo que posso chamar… Uma das primeiras pessoas que vi foi o meu ex. O meu ex e a namorada dele, naturalmente. Senti um misto de espanto e medo. Manter as estruturas firmes quando se está longe de tudo é fácil, difícil é se manter firme ao ver o cara que mais te machucou acompanhado por uma outra mulher. O irônico da vida é que eram 22 de janeiro e fazia exatamente um ano que a gente tinha se visto pela primeira vez. Na ocasião a gente tinha trocado olhares mas ele acabou beijando uma menina na minha frente. Eu, para não ficar por baixo, revidei e fiquei com outro. Dois dias depois ele me achou na internet e me convidou para sair. E assim foi o nosso começo… Que irônica a vida, não? Aquele início torto foi apenas um prenúncio de como seria o nosso fim. Mas agora a ocasião era outra, o fim já havia chegado e logo tentei recuperar o equilíbrio que tanto havia buscado nos últimos dias e decidi que ele só me veria sorrindo naquela noite.
Em uma atitude bastante imatura, mas da qual não me arrependo, eu fiz uma proposta ao irmão do namorado da minha amiga: “Finja que está comigo”. Ele aceitou. Aquela era a minha chance de virar o jogo ou pelo menos de o deixar empatado…

Quando os olhos do meu ex se cruzaram com os meus no meio do caminho, eu exibi o maior sorriso dos últimos tempos e o cumprimentei de longe. Ele, aparentando bastante incômodo, só me cumprimentou com as sobrancelhas. Foi o meu primeiro gol.

Eu sempre quis ser atriz e naquela noite eu tive a oportunidade de exercer isso. Eu encenei a noite toda uma postura de “não me importo”. Mas por dentro eu me importava sim. Mesmo com toda a meditação dos últimos dias eu confesso: eu ainda não havia largado o osso.

Olhando de relance, eu via que ele não tirava os olhos de mim. após tanto tempo engolindo o meu amor próprio e colocando o bem-estar dele acima do meu, creio que ele ficou no mínimo surpreso por me ver “bem” na companhia de outro, aparentemente tendo superado o fora que ele havia me dado na véspera do meu aniversário.
Em um dado momento ele se aproximou bastante de mim e do meu suposto par e uma das minhas amigas, prevendo que ele passaria ao meu lado, disse: “Beija, beija!”. No desespero eu só virei para o meu par de mentirinha e disse: “Beija, beija!”. Era mais que um pedido, era uma ordem. Não sei dizer se foi um beijo técnico mas foi convicto o suficiente para fazer o meu ex cair em si poucos dias depois e tentar uma reaproximação. Fiz mais dois gols de uma só vez.

Eu não vou mentir: eu voltei pra ele. Eu voltei porque ainda havia sentimento, porque eu ainda acreditava em nós, porque a situação não tinha ficado resolvida pra mim. Nós namoramos por mais apenas dois meses. Tempo suficiente para eu perceber que não éramos feitos um para o outro e que insistir naquilo era burrice. Eu havia idealizado o meu ex de tal forma que eu acreditava que eu era culpada por a gente não ter dado certo. Mas voltando pra ele, eu percebi que o problema era outro: nós éramos incompatíveis. O que eu queria de um relacionamento ele nunca poderia me dar, vice-versa. Ao contrário da primeira vez que terminamos, da segunda vez eu não sofri. Isso tudo foi em 2012 e eu costumo dizer que 2012 foi o melhor ano da minha vida porque eu lutei por algo até onde eu acreditava e foi justamente isso que me possibilitou enxergar que aquele relacionamento era uma furada. Terminar o namoro foi um salto que dei rumo à liberdade e rumo também à uma grande descoberta: eu poderia ser mais feliz sozinha, eu tinha dentro de mim todos os quesitos necessários que me permitissem ser plena. Não que eu não fosse nunca mais me relacionar com alguém, mas acima de tudo eu precisava me relacionar bem comigo mesma, sem as culpas que eu vinha vindo carregando.

Foi libertador chegar em casa todas as noites, deitar a minha cabeça no travesseiro e não ter que me preocupar se o meu “namorado” estava mesmo em casa, se o meu namorado estava mesmo trabalhando, se o meu namorado era mesmo fiel. Foi libertador eu não me achar uma ciumenta excessiva, pois era assim que ele me achava, e era assim que eu passei a me ver. No fim das contas eu descobri que eu realmente não era ciumenta sem motivos, no fim das contas eu descobri que ele realmente não estava em casa. No fim das contas eu descobri que ele realmente não era fiel. Quatorze dias após terminarmos, ele assumiu namoro com outra (já era a terceira do ano, risos) no Facebook. Mas ao contrário do que vocês podem pensar eu não sofri. Isso me libertou do conceito que ele havia criado: eu como ciumenta e possessiva e ele como o namorado perfeito. Isso me mostrou que jamais ele me daria a segurança e confiança que eu precisava. Isso me deu a certeza de que ele definitivamente não era o homem com quem eu queria trilhar a minha vida.

Eu quero deixar um recado especialmente para as mulheres que estão sofrendo por algum cara: tente, tente sem jogos, tente quantas vezes forem necessárias, dê a cara a tapas e jamais esconda os seus sentimentos; tente por mais que isso te faça sofrer porque você só irá esquecer esse cara no dia em que após tantas tentativas frustradas você enxergar que não é isso que você quer pra si mesma. Não tenha medo da dor, às vezes ela nos prepara para algo melhor. Eu tenho absoluta certeza disso. Eu sou a prova disso.

tumblr_mk9pvy7Qpk1s5mjaxo1_500Nota: Quanto ao meu ex, posso dizer sem mentir que hoje não há nenhum um tipo de rancor. Hoje nós temos contato ainda, como amigos, e creio que tudo que vivemos foi importante pra mim. Eu precisava de um choque de realidade. Hoje me considero muito mais madura e preparada para viver um relacionamento pleno. Tudo é lição, tenham certeza!

 

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Nat Medeiros
“Sou personagem de uma comédia dramática, de um romance que ainda não aconteceu. Uma desconselheira amorosa, protagonista de desventuras do coração, algumas tristes, outras, engraçadas. Mas todas elas me trouxeram alguma lição. Confesso que a minha vida amorosa não seguiu as histórias dos contos de fada, tampouco os planos de adolescência. Os caminhos foram tortos, íngremes, com muitos altos e baixos e consequentemente com muita emoção. Eu vivo em uma montanha-russa de sentimentos. E creio que é aí que reside o meu entendimento sobre os relacionamentos. Estou em transição: uma jovem se tornando mulher experiente, uma legítima sonhadora se adaptando a um mundo cada vez mais virtual. Sou apenas uma mas poderia ser tantas que posso afirmar que igual a mim no mundo existem muitas e é para elas que escrevo: para as doces mulheres que se tornaram modernas mas que ainda acreditam nas histórias de amor.”



1 COMENTÁRIO

  1. Estou passando por situação bem parecida. 2 semanas do fim do relacionamento e ele já está correndo atrás de outras, quando havia me falado que queria “se encontrar, queria se aproximar de Deus”.

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