O problema do estupro é o estuprador.

Não fui eu. Nem você. Tampouco sua mãe, sua irmã, sua filha, sua namorada, sua esposa. Não fomos nós. Mas poderia. Mas pode. Agora, daqui alguns minutos ou daqui alguns dias.

Sim, eu posso ser a próxima vítima ao fazer meu caminho para pegar o ônibus e ir para a faculdade. Sim, pode ser você indo para a academia. Pode ser sua mãe a caminho do trabalho. Pode ser sua filha dentro da própria casa. Pode ser sua irmã na balada.

Roupa, corpo, cor da pele, tamanho do cabelo, estado emocional, se está embriagada ou não, nada, absolutamente nada, será motivo, justificativa ou explicação para ele (ou eles, quando lembramos que às vezes de 30 não salva 1) cometer o estupro. Consegue me entender? Não procure viés, não busque saída. O problema do estupro é o estuprador.
Não se esquive, não finja que não viu, não vire o rosto porque não foi com você ou com alguém que você tem afeto. Somos humanos e, por mais que a podridão de uns nos assustem, ainda dá tempo de honrar uma suposta evolução já ocorrida.

A notícia repercutida foi dos 30 (TRINTA) monstros fazendo do corpo de uma menina (que vale relembrar, poderia ser eu ou você ou alguém que você conhece) um objeto, um instrumento qualquer para comenter atos macabros. 30 monstros sem compaixão, empatia, com traços, vestígios e comprovações de pura perversidade. Mas o pior, existem dezenas de 30 homens por aí. Por aqui. Por ali. 30 homens de todos os tipos. Branco, negro, rico, pobre, alto, baixo(…). Todos os dias um, desses 30 homens, comete uma atrocidade dessa e, todos os dias, mais uma mulher é morta, mesmo se continuar viva.

Para nós, nos resta o medo, o nojo, a vunerabilidade. Para os homens- os que podem ser chamados de homem, vale lembrar- que fique a vergonha e a convicção de quanta coisa precisa ser mudada. Começando por aprender, de uma vez por todas, que nós, mulheres, não somos um pedaço de carne, não somos um objeto e não temos que ser ensinadas a nos comportar para evitar uma atrocidade vinda dos homens. Mas sim VOCÊS serem ensinados a nos respeitar. Sem mas, porém, entretanto ou qualquer conjunção adversativa que venha destruir a certeza que nenhuma mulher merece ser estuprada, violentada ou qualquer outra coisa que nos tire o direito de sermos humanas e livres.

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Ana Luiza Santana
"Estudante de psicologia, nascida no Pernambuco, mas escolhida pela Bahia(amo). Intensa por naturalidade e louca por amor. Completamente apaixonada por abraços apertados, sorrisos e pessoas de aura leve e energia positiva."



1 COMENTÁRIO

  1. Ana Luíza Santana, acabei de ler seu texto, fico muito triste com esses e outros tipo de atitude vindo por esses tipos de pessoas titulados de homens, espero que um dia não tenhamos que fazer esses tipo de comentários estupido que sempre atinge a todos! Beijos, abraços e desculpas.

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