Minha vida é um conto de falhas-Jéssica Pellegrini

Vivemos em constantes mudanças. Crescemos, aprendemos, erramos, acertamos, caímos e ainda somos obrigados a levantar, não apenas de um obstáculo, mas além de tudo manter a cabeça erguida após qualquer tombo. É uma evolução carnal e espiritual. Nascemos ingênuos e ignorantes, a responsabilidade nos cobra o tempo todo por experiências produtivas que gerem maturidade em nosso caráter e personalidade na alma. Ou seja, nada do que acontece é por acaso. Isso não quer dizer que sou uma pessoa sortuda…

Sorte. O que você entende por sorte? Merecimento das próprias atitudes ou escolhas? Quem sabe, o acaso beneficiando por motivos desconhecidos? O universo conspirando a favor dos verdadeiros desejos? Sorte, uma palavra que muitos dizem, mas se quer compreendem o significado. Podemos dizer que sorte é uma consequência? Um tiro sem direção que acertou em cheio? Um cupido que atingiu a mira? Uma oração muito bem sucedida? Uma fé inabalável? Persistência e determinação? Sorte, palavra de cinco letras que pode mudar uma vida. Será uma esperança? Uma recompensa? Um alerta? Um tapa na cara para despertar? Bom, cada caso é diferente, mas particularmente comigo, as situações são bastante similares…

Eu já pensei muitas vezes em desistir. Em me esconder por medo de enfrentar, em me manter na defesa e não partir para o ataque. Eu já senti vergonha por todas frustrações, por me iludir tanto com amores e paixões. Eu já abri mão do coração, troquei a emoção pela razão. Eu já pensei em ficar para sempre solteira. Também já duvidei de relacionamentos conhecidos, achei graça da desgraça alheia. Eu já corri contra o tempo, e ainda cheguei atrasada. Eu já fiz muitas vezes a mesma coisa, mas mudei a fórmula da execução. Eu já sonhei em casar, e me ferrei na primeira tentativa. Eu já me declarei por querer demais, e desapeguei quando levei um fora. Eu já ofereci rosas, e só obtive espinhos. Eu já fui de corpo e alma, agora sou de pele e osso. Eu já dei muito, agora eu apenas retribuo. Entendo que tudo possui dois lados e, quando não é recíproco, não faz sentido continuar. Agora eu sei o ponto limite, não vale o desgaste. Os meus dentes são narcisistas, eles gostam de ficarem expostos. Me faça sorrir, que eu te mostro todo amor do mundo. Comigo é assim, compensação em dobro. Eu não gosto de perder tempo, necessidade de ganhar…

Amores banais, aqueles que nos ensinam lições óbvias. Amores fracos, que não têm força necessária para aguentar a barra. Amores frágeis, que não sustentam a base principal. Amores ingratos, que não enxergam a prospecção. Amores invejosos, que transformam o relacionamento em campo de competição. Amores dissimulados, que não possuem a mínima certeza. Amores idealizados, que não saem do papel para a realidade. Amores indecisos, que não avançam no jogo. Amores platônicos, que só existem na imaginação. Amores possessivos, que não entendem a importância em conquistar a segurança. Amores interesseiros, que só querem bens materiais ou motivos de interesses próprios. Amores egoístas, que não conseguem tirar os olhos do umbigo. Amores cegos, que não enxergam os fatos como eles realmente são. Amores eternos, que passam tanto tempo prosperando o futuro e esquecem do presente. Amores, sempre amores. Tantos amores… Cada um de um jeito, todos eles aqui dentro de mim. Cada um com suas peculiares características, mas mantendo o lado negativo mais evidente do que o positivo.

A vida passa depressa. Mantenho-me na defensiva dos acontecimentos. Não vou ser hipócrita e dizer que eu não estou em busca de um amor que some, seria mentira. No fundo, todos nós estamos procurando constantemente, mesmo indiretamente, por alguém que faça o que tantos outros não fizeram. Alguém que não tenha vícios ou costumes, ou um antigo amor martelando a mente. Eu não quero alguém que esteja comigo na cama, e com o coração em outro tempo verbal. Procuramos, mesmo sem anúncios ou propagandas, um amor simples e sem descrições bem redigidas. Um amor que chegue, desmorone e estremeça. Um amor que queira estar, que priorize e não desista. Um amor que insista, que seja leal e sincero. Um amor que ensine com as diferenças, e agregue com as semelhanças. Um amor que possamos apresentar aos amigos, e compartilhar com a família. Um amor que chegue onde nunca ninguém chegou. Que não prometa, mas faça. Que eu possa chamar de meu amor, só meu.

Eu não fiz tudo errado. Aliás, eu tenho corrigido os meus atos sempre visando a felicidade. A minha e de quem estiver de mãos dadas comigo. Eu sigo desse jeito, beijando na boca e às vezes, fazendo planos com o corpo. Entre quatro paredes, ou dentro de uma igreja. Apenas sexo, ou envolvimento. Uma bicicleta, ou um casamento. Casamento é uma palavra distante demais da minha realidade, nem sei o porquê estou falando sobre isso. Solteira. Esse é o meu status por livre e espontânea pressão psicológica. Infelizmente, não conseguimos saber quem vai nos ferir. Mas é preciso escolher alguém para arriscar-se. Quando o arrepio fala mais alto e os batimentos aceleram, é o sinal que preciso para me jogar, me entregar e apostar o que vai acontecer. Eu já tive meus tantos receios, hoje larguei a preocupação de lado e só quero ser feliz. Com alguém ou sozinha, os meus ideais continuam vibrantes.

Chegue com calma, apresente-se. Conheça as minhas qualidades, descubra os meus defeitos. O que você quer de mim? As minhas roupas no chão? Uma aliança prateada na mão direita ou dourada na mão esquerda? Um instante ou uma vida? Fale a verdade, não fuja dos compromissos. Não faça jogos. Eu morro de preguiça disso. Seja fiel às suas próprias vontades. Mas saiba, com toda sinceridade, que a sua decisão impactará duas vezes na minha.

Pense, pense muito. Pense quase até ter uma – quase – certeza.

“E aí?” – Você me pergunta.

“Até quando?” – Eu te respondo.

Quem não sabe cuidar, simplesmente não merece ter.

Se capaz, mude esse meu status, meu bem!




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