Isso tem nome

Hoje ela chegou cedo, fiz  um chá bem quente porque ela estava gelada de frio. Ela se sentou ao meu lado e conversamos horas a fio. Eu chorei e ela chorou comigo, e segurou minha mão quando eu achei que fosse morrer de tanto que ela doía dentro de mim.
Perguntei, então,  por que ela tinha que machucar tanto? Ela disse que nem sempre é assim. Tem ocasiões em que ela não machuca muito, apenas faz alguns arranhões. Mas eu queria entendê-la, queria matá-la, queria mandá-la para bem longe do meu alcance onde ela não pudesse mais me ferir. Não queria dar minha face a bater, não mais. Eu queria, de qualquer jeito, me livrar dela, mas ela me abraçou e pude sentir meu coração trincar de tão gélido que ficou. Podia senti-la em minhas entranhas, correndo no meu sangue. Achei que não ia mais suportar aquilo tudo, que tinha se transformado num duelo. Já não tinha da onde tirar forças, quando num sobressalto peguei o telefone, disquei um número velho conhecido e num susto ela explodiu, virou pó na minha frente. Meu coração voltou a se acalmar e ficar bem quentinho ao som da voz do outro lado da linha. Dessa vez eu consegui me livrar da Saudade, mas sei que haverá vezes em que não terei para onde ligar e terei que recorrer a minhas lembranças, ao meu coração. Espero poder encontrar a força suficiente para vencer esses momentos.
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Meire Oliveira
Meire Oliveira é Escritora, Poeta e Coach de transformação. Amante das estrelas e das estradas. Autora dos livros Pintando Borboletas e Vai Com Fé que Flui. Conjuga o verbo escrever com vários outros juntos: ama, sente, vê. Por isso nasce e renasce em palavras que palpitam nela.



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