Eu não quero um amor morno

Eu sinto falta de toda a nossa magia e de como tudo era tão bonito logo no início. Eu sinto falta dos teus abraços na chegada e dos teus beijos na despedida, eu queria acreditar que tudo está exatamente como antes, e que houve mudanças e evoluções entre nós. Mas esse amor que antes era furacão hoje virou tempestade.

Eu queria estar errada quanto sinto que está tudo diferente entre a gente e queria que fosse verdade quando você me dissesse que está tudo bem. Enganos e mais enganos e nós estamos nos afundando. Eu queria os teus anseios novamente, teus elogios inesperados e aqueles bilhetes colocados no meio de um livro velho ou na porta do meu guarda roupa novo. Eu queria sentir que ainda somos dois, inteiros e não metades. Queria ver o nosso amor sendo par e não ímpar. Achei ser loucura, achei ser saudade, achei ser falta ou exagero. Tentei encontrar respostas mas as incógnitas permaneciam ali me torturando.

Achei que talvez se eu mudasse o corte de cabelo ou comprasse uma roupa nova, fizesse a sua sobremesa preferida as coisas iram se acertar, as coisas iriam mudar. Enganos e mais enganos e nós estamos afundando. Eu sei que o amor tem dessa de não ser mais novidade depois de um tempo, mas é ai que a sua essência mora. É continuar achando o outro interessante mesmo que a novidade desapareça, que o corte de cabelo do primeiro encontro cresça e que as palavras “linda” e “bonita” tornaram-se chamamentos ao invés de adjetivos. Eu sei que o amor é isso uma espécie de um vício, quanto mais se tem mais se quer. Por isso eu quero muito de nós. E já não me acho tão errada em pensar assim. Já não acho mais loucura querer um amor nessa ritmo bagunçado.

Não tem dessa de esfriar, de esquecer de elogiar porque eu já sei o quanto você me acha bonita, não tem dessa de não sair mais por que já conhecemos muitos lugares ou de deixar as coisas como estão porque está bom assim. Não exijo de você atenção o tempo todo, isso já é loucura, só volte a me mandar mensagens inesperadas dizendo que pensou em mim quando viu meu chocolate favorito no mercado, só não deixe de dizer o quanto meu pijama velho combina com o meu mau humor matinal e de como eu fico linda quando estou brava.

Só não deixe de elogiar minhas receitas mesmo que esteja faltando sal ou que eu tenha exagerado no açúcar. Só não deixe de comprar um ingresso daquele filme que eu pedi a você para assistir comigo e de deslizar teus dedos nas minhas mãos como quem quer prestar atenção no filme, mas também, quer dar carinho. Só não deixe de me beijar na testa enquanto esperamos o elevador e de me dar um beijo na bochecha quando eu escolher o lanche do cardápio. Não deixe de me roubar beijos e sorrisos e nem me esmagar com teus abraços .Só não deixe de me amar por pouca coisa ou de achar que já está tudo ganho entre nós.

Nós não precisamos nos afundar, nós precisamos ganhar um ao outro todos os dias. Amor pra mim é que nem café: não poder ser morno, precisa ser quente.

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Thamilly Rozendo
Estudante de psicologia, apaixonada por artes, música e poesia. Não dispensa um sorvete e adora um pastel de feira com muito requeijão, mesmo sendo intolerante a lactose. Tem pavor de borboletas, principalmente as no estômago.



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