Um bilhete.

Talvez você não saiba, mas existe um tempo que é só seu. Ainda não é já. Está tudo nebuloso agora; a janela está fechada, a rua está silenciosa e você está triste, isso fez com que as luzes se apagassem por dentro. Você parece minúsculo diante de um mundo de coisas que confundem e pesam. Dói não ter certeza. Dói não descobrir o ângulo da mirada porque você está curvado, olhando pra trás. Deixa o passado passar. Se alguém que você amava foi embora não se culpe nem atribua a partida a qualquer coisa que você não tenha feito. Quem parte magoado costuma deixar cacos no meio do caminho pra lembrar que ainda é capaz de ferir, mas tenha a habilidade de desviar e fazer outra rota. Ninguém constrói vida nova guardando a demolição dos outros como souvenir. Ninguém vive e nem precisa recuperar um passado que não serve para abrilhantar o presente. Esqueça a ladainha de sofrer por alguém que não está mais aqui. Quem foi embora sabe exatamente o que fez. O melhor disso tudo é que você não precisa partir e nem se despedaçar pra se sentir confortável com outra presença, pois a única pessoa capaz de ser abrigo e se dar a melhor companhia é você mesmo.

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Ester Chaves
"Seu traço escrito é atual, jovial, mas emplastrado de técnica literária. Seus temas são viscerais, nos tomam pelo nó na garganta e nos transversam de cima abaixo e por todos os lados, enquanto ela domina os ímpetos caudalosos do fluxo de consciência. Sua percepção microscópica da psique humana nos tira o fôlego.." Rândyna Cunha



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