Um bilhete.

Talvez você não saiba, mas existe um tempo que é só seu. Ainda não é já. Está tudo nebuloso agora; a janela está fechada, a rua está silenciosa e você está triste, isso fez com que as luzes se apagassem por dentro. Você parece minúsculo diante de um mundo de coisas que confundem e pesam. Dói não ter certeza. Dói não descobrir o ângulo da mirada porque você está curvado, olhando pra trás. Deixa o passado passar. Se alguém que você amava foi embora não se culpe nem atribua a partida a qualquer coisa que você não tenha feito. Quem parte magoado costuma deixar cacos no meio do caminho pra lembrar que ainda é capaz de ferir, mas tenha a habilidade de desviar e fazer outra rota. Ninguém constrói vida nova guardando a demolição dos outros como souvenir. Ninguém vive e nem precisa recuperar um passado que não serve para abrilhantar o presente. Esqueça a ladainha de sofrer por alguém que não está mais aqui. Quem foi embora sabe exatamente o que fez. O melhor disso tudo é que você não precisa partir e nem se despedaçar pra se sentir confortável com outra presença, pois a única pessoa capaz de ser abrigo e se dar a melhor companhia é você mesmo.

COMPARTILHAR
Ester Chaves
ESTER CHAVES é uma escritora brasiliense. Graduada em Letras pela Universidade Católica de Brasília e Pós-graduada em Literatura Brasileira pela mesma instituição. Atuante na vida cultural da cidade, participa de vários eventos poético-musicais. Já teve textos publicados em jornais e revistas. Em junho de 2016, teve o conto “Os Voos de Josué” selecionado na 1ª edição do Prêmio VIP de Literatura, da A.R Publisher Editora.

RECOMENDAMOS



DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here