O Lado “B” (Bom) do meu coração

Que um dia, você tenha notícias minhas. Que saiba que melhorei da minha dor. Que saiba que o meu coração está saudável, cheio de vaga-lumes e borboletas.

Que saiba que cresci de dentro pra fora, como você me ensinou.

Que saiba que o seu sorriso ficará guardado em mim, como o mais precioso presente, a mais bela recordação que me faz sorrir de volta toda vez que vejo a sua foto.

Que ao ver uma estrela, o céu rabiscado de nuvens com aquela pipa redonda de papel crepom, você saiba que o meu coração acende porque você está lá.

Você está nas coisas maravilhosas! No dia que se abriu lá fora, no mar que ainda não conheço, nas plantas que reguei de manhã, nos meus testes fotográficos, nos quadros que ainda não pintei, nos livros que amenizam a minha solidão, nas palavras inventadas, nos meus protótipos de gesso. Você está nos detalhes, naquela folha colorida que dobrei ao meio e esqueci de colocar dentro do envelope vermelho, naquela música que a última frase é nossa.

Desejo que você não esqueça de algo bom que eu tenha feito. Das manhãs com descrições das paisagens, das palavras com risos e canções. Das trocas de afeto. Dos sonhos compartilhados.

Desejo que um dia, eu possa acender de novo o Sol que você plantou em mim, e que apaguei com as mãos frias, como quem apaga uma vela e depois chora no escuro.

Desejo que um dia você conheça o lado “B” do meu coração, o lado bom, que às vezes aparece para brindar a vida. O lado “B”, que me faz andar sem sapatos e correr na chuva. O lado “B” que ainda estou conhecendo e por isso não sei dividi-lo nem mostrá-lo integralmente.

Que um dia, não sei exatamente quando, você possa acreditar que é verdade, que eu sou de “verdade” e os meus inventos são feitos de palavras e sons, e que, às vezes, me perco nessa mistura toda que é a vida.

Que um dia, você saiba que sinto medo e choro todas as vezes que tento apagar os meus erros e a borracha falha.

Que um dia, não sei quando, e que o “quando” não seja muito tarde, ainda nesta vida,

eu saiba ser luz, e irradie nos passos, abraços e corações todo amor que você me deu.

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Ester Chaves
"Seu traço escrito é atual, jovial, mas emplastrado de técnica literária. Seus temas são viscerais, nos tomam pelo nó na garganta e nos transversam de cima abaixo e por todos os lados, enquanto ela domina os ímpetos caudalosos do fluxo de consciência. Sua percepção microscópica da psique humana nos tira o fôlego.." Rândyna Cunha



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