Em busca de sentido

 No último fim de semana assisti ao filme “Um senhor estagiário” (“The intern”) com a turma lá de casa. Logo no início, Ben, o personagem vivido por Robert de Niro, diz:
“Freud disse: “Amar e trabalhar, trabalhar e amar. É só o que existe”. Bem, eu sou aposentado e minha esposa morreu. Como devem imaginar, tenho tempo de sobra. Minha esposa faleceu há três anos e meio. Sinto muita falta dela. E a aposentadoria é um esforço contínuo e implacável de criatividade…”
 

 O resto não vou contar, só digo que o filme é bem divertido e me fez pensar na vida como uma sequência de eventos que devemos usufruir da melhor forma possível. Como disse Ben, “um esforço contínuo e implacável de criatividade.” Pois, ao contrário do que cantou Zeca Pagodinho, nem sempre é válido “deixar a vida me levar”. Há que se ter criatividade e jogo de cintura pra não esmorecer nos momentos em que nos falta um rumo a seguir.

Como você passa o seu dia? Trabalha, leva os filhos para a escola? Estuda de dia, namora de noite? Cuida dos netos, cultiva um jardim? Faz ginástica, encontra os amigos? Estuda, trabalha, pratica yôga e cozinha? Tem tempo demais, tem tempo de menos? De qualquer forma, estabelecer um norte torna-se primordial para se viver bem. Ter objetivos, ter pra onde ir, ter o que fazer, descobrir o que te faz feliz, descobrir o que te realiza e completa… tudo isso faz parte do pacote que é brincar de viver, e deve ser cultivado constantemente.

Ter um norte é descobrir as coisas que alimentam sua alma, os gostos que renovam seu espírito, as atividades que lhe dão prazer, as músicas que lhe comovem mais. Não necessita de especialização nem perfeição, só vontade de estar inteiro naquilo que lhe completa. Não precisa de carteira assinada, muito menos livro ponto. Ter um norte tem mais a ver com os assuntos do coração do que da obrigação, e depende mais da vontade que da necessidade.

Essa reflexão me trouxe de volta uma sessão de terapia em que minha terapeuta me perguntou o que eu mais gostava de fazer. Eu respondi que era cuidar do meu filho. Ela insistiu, tinha que ser algo direcionado a mim, não a outra pessoa (“os filhos crescem…” _ ela disse). Foi então que me lembrei que gostava de escrever e, bingo! descobri que podia começar um blog.

Então o que eu quero dizer é que você tem que descobrir o que te realiza e faz você querer abrir os olhos pela manhã todos os dias. O que faz você sorrir para o espelho do banheiro mesmo que a saudade esteja doendo em seu peito. O que lhe comove ao ponto de lhe tornar criativo para resistir e querer ser melhor do que já foi. O que alimenta seu espírito quando o cansaço lhe tira as forças, e faz seus olhos brilharem à primeira lembrança do que você pode fazer com seus dons.

Ter um norte é descobrir em si mesmo o que lhe completa, e não buscar nos outros o seu sentido para viver. É encontrar dons escondidos e alimentá-los com vontade e determinação. É esforçar-se para sair da acomodação e seguir por uma estrada íngreme, que leva a um lugar melhor. É ir à luta para encontrar sentido nas pequenas coisas, nos pequenos gestos, nas diminutas possibilidades.

Ben, o personagem que citei, é um senhor empenhado. Aos setenta anos, já tentou de tudo: viajou, jogou golfe, leu, foi ao cinema, fez yôga, aprendeu a cozinhar, comprou plantas, estudou Mandarim. Ainda assim, precisava de um sentido maior para seus dias. Se ele encontrou? A gente torce que sim!

Quanto a nós, só podemos seguir feito Ben, em busca de sentido. De algo que venha sanar esse vazio existencial que todos possuímos, e que de vez em quando dá as caras de um jeito maior do que gostaríamos. Que haja serenidade para esperarmos o tempo das descobertas. Que haja lucidez para assumirmos o papel que nos cabe em nossa própria vida. E que não nos falte ânimo, pois é ele que nos impulsiona a viver melhor todos os dias.

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Fabíola Simões
Nasceu no sul de Minas, onde cresceu e aprendeu a se conhecer através da escrita. Formada em Odontologia, atualmente vive em Campinas com o marido e o filho. Dentista, mãe e também blogueira, divide seu tempo entre trabalhar num Centro de Saúde, andar de skate com Bernardo, tomar vinho com Luiz, bater papo com sua mãe e, entre um café e outro, escrever no blog. Em 2015 publicou seu primeiro livro: "A Soma de todos os Afetos" e se prepara para novos desafios. O que vem por aí? Descubra favoritando o blog e seguindo nas outras redes sociais.



9 COMENTÁRIOS

  1. Minha querida filha,

    Parabéns! Mais uma vez você me surpreende!
    Adorei sua crônica…tendo Deus como sua Luz e Guia, desejo-lhe que você tenha um seguro Norte para viver.
    Viver é uma aventura , às vezes perigosa, ´mas sob os cuidados de Deus é fascinante.
    Te amo.
    Tenho orgulho de você.
    Meu abraço muito forte.
    Sua mãe

  2. Posso dizer que gostei mais do comentário de mamãe do que da crônica?
    Poucas coisas são mais importantes do que o orgulho de mãe!!! Que liiiindo!!
    Fabíola… Vc é abençoada! E que nós sejamos fortes para nos surpreender todos os dias!!!

  3. Muito lindo e reflexivo, amei! Eu estou nessa, aos 66 anos tenho tido a grata surpresa de que posso sim, ser feliz com bem pouco. Desde que esteja confortável e aquecido o coração. Grande abraço. Hilda

  4. Fabíola, muito obrigado por seu olhar de sensibilidade a esse pilar tão importante da vida: a busca do sentido. Me fez relembrar as páginas do primeiro livro que li esse ano (Em Busca de Sentido, Viktor Frankl), pois estou passando por certas experiências que me fizeram questionar os caminhos que tenho percorrido na vida, se são fecundos, se preciso parar de reclamar, agir, ressignificar… Esse texto é muito especial para mim, obrigado mesmo por compartilhar, abençoada seja!!! Um grande abraço, Edson (https://www.facebook.com/profile.php?id=100010472074868).

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