É possível acreditar em milagres, mas eles só acontecem pra quem deixa a porta aberta

Título original: A primeira prova

Uma das frases mais marcantes em “Boyhood” foi aquela, dita pela mãe, quase no final do filme: “Eu só achei que haveria mais”.

Sempre achamos que haverá mais. E constatamos admirados, dia após dia, que sempre há. Porém, nunca do mesmo jeito. Apesar de não nos surpreendermos de imediato, chega uma manhã em que nos formamos na faculdade; um dia em que corremos pra maternidade; uma noite em que os filhos crescem; uma hora em que a gente envelhece.

Hoje meu filho está fazendo sua primeira prova na escola, e mais cedo apontei seu lápis desejando que saiba lidar com o que virá depois. Depois de descobrir que algumas coisas a gente não pode mudar, mesmo que recorra à borracha insistentemente. Depois de perceber que uma hora ou outra vai duvidar de si mesmo, julgando-se pequeno ou incapaz de prosseguir. Depois de descobrir que pode recomeçar, e que existem inúmeros jeitos diferentes de tentar e arriscar.

É possível acreditar em milagres, mas eles só acontecem pra quem deixa a porta aberta. Pra quem se envolve com o que deseja, e se esforça com empenho para que a vida se alinhe aos seus anseios. Pra quem enxerga que não ‘chegar lá’ também pode ser uma forma de ser recompensado. Um milagre que lhe conduz por um caminho oposto, por razões que só se justificam à luz da fé.

É certo que virão noites regadas a café forte e pontas de lápis apontadas à exaustão; fórmulas coladas na parede e marca textos em cada página de livro. Orações ao cair da noite e esperança no raiar do dia.

Porém, mesmo desejando, é primordial que não deixe as corridas dominarem você. Que perceba que muito além das notas no final do ano, o que mais conta nesta jornada são os pequenos trunfos que acontecem silenciosamente, sem que ninguém nos avalie. Como quando descobrimos nossos gostos musicais, nossas primeiras paixões, os amigos com quem desejamos compartilhar nossos segredos, as lembranças que nos fazem sorrir, as saudades que nos fazem voltar.

Serão essas conquistas que farão com que perceba que sempre ‘há mais’. E enquanto torço para que passe bem por sua primeira prova, descubro que é minha primeira vez também.
Aqui, do lado de fora, torcendo por você.

Percebendo que daqui pra frente algumas batalhas serão só suas.
Descobrindo que mesmo desejando, alguns passos desta dança são só seus…
Boa sorte!

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Fabíola Simões
Nasceu no sul de Minas, onde cresceu e aprendeu a se conhecer através da escrita. Formada em Odontologia, atualmente vive em Campinas com o marido e o filho. Dentista, mãe e também blogueira, divide seu tempo entre trabalhar num Centro de Saúde, andar de skate com Bernardo, tomar vinho com Luiz, bater papo com sua mãe e, entre um café e outro, escrever no blog. Em 2015 publicou seu primeiro livro: "A Soma de todos os Afetos" e se prepara para novos desafios. O que vem por aí? Descubra favoritando o blog e seguindo nas outras redes sociais.



3 COMENTÁRIOS

  1. Que belo texto!!! Verdade, tem coisas que desejamos aos nossos filhos, mas somente eles sentirão na pele, assim como a gente. Tem coisas que são nossas e por mais que não estejamos só, o caminho interior é só nosso e de mais ninguém. Isso é viver!!!

  2. Você é fantástica Fabíola ! Estou aqui imaginando seu filho lendo estes seus textos daqui alguns anos… Isto vai ser maravilhoso. Parabéns por querer é poder registrar com tanto carinho e propriedade suas emoções maternas. Muito lindo.
    Beijos e upa forte !
    ;)) ❤️

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