A vida nem sempre poderá ser contada de forma poética

Essa semana faltou-me inspiração. É claro que aconteceram coisas demais, o trabalho no Centro de Saúde que não pára, as demandas da aula de inglês do filhote, reuniões na escola, aniversário dos sobrinhos, rotina, trânsito, pacientes…

E no meio disso tudo, a gente até se assusta com os sorrisos, com a simpatia, com os sinais de gentileza pelo caminho.

Saindo do apartamento da minha mãe na sexta feira, encontro um casal simpático no elevador.

Em tempos em que um ‘boa tarde’ é mais que suficiente para as relações num elevador, se deparar com sorrisos amistosos de desconhecidos, perguntando se você vai bem (insistindo nos sorrisos) soa estranho, até desajeitado para seres tímidos como eu.

Minha mãe mora no terceiro andar, de forma que até o térreo é um pulinho, e nesse intervalo continuei percebendo os olhares do casal simpático, até que ouvi a frase: “Bonita flor no cabelo!”.

Então lembrei. Meu sobrinho de quatro anos havia me dado uma flor grande, natural, minutos antes. Não resisti e fiz uma graça para ele colocando-a no cabelo. Tinha esquecido de retirar.

Sem jeito, puxei a flor pelo cabinho e sorri cabisbaixa. O mocinho, insistente, continuou simpático: ‘Estava bonito… não devia ter comentado, assim você continuava florida…’ e eu ali, mantendo firme meu ‘risinho – de – timidez – paralisante’ até que _ ufa! _ chegamos ao térreo. Voltei pra casa com a historinha trazendo um tanto de poesia ( e simpatia) para o fim daquele dia comum, numa semana extremamente comum, num mês avassaladoramente comum.

Então hoje é domingo e ontem foi a festinha de um ano da minha sobrinha. Viajamos para São Paulo, nos atrasamos um pouco no trânsito ( São Paulo está ficando difícil de trafegar até no sábado à tarde!) e reencontramos boa parte da família que não se vê todo dia.

E domingo chegou cheio de confetes coloridos e jujubas por toda a casa. Apesar de colorido, amanhã é segunda novamente. Sem brechas, sem feriados, apenas com a promessa das férias chegando e dos dias que teremos que reinventar, nem que seja com uma flor no cabelo, para poder suportar.

E mesmo que me falte inspiração, ainda haverão pequenas anedotas para eu relatar aqui. Com flores no cabelo ou não, a vida nem sempre poderá ser contada de forma poética.
A rotina nos engole sem rodeios, e em algum momento nos sentimos desajustados e desanimados também. Mas aprendi que são ciclos. Tempo de espera, paciência e momentos de florir e transbordar.

Naquela sexta feira, eu voltava pra casa num trânsito infernal, por isso resolvi parar no apartamento da minha mãe. Mal sabia que sairia dali florida, no sentido mais literal da palavra. E que talvez fosse esse o empurrãozinho que me faltava para entender que posso sim, aceitar os pequenos incidentes como parte do grande todo também. Que quando uma segunda feira desponta, ela traz um monte de responsabilidades , mas agrega também infinitas possibilidades…

Que venha a semana, que traga dezembro, que hajam flores, que exista poesia. E se faltar inspiração, que a gente possa aceitar também, pois a história é feita de desafios e incertezas, avanços e recuos, invernos e primaveras, desfalecer e florescer…

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Fabíola Simões
Nasceu no sul de Minas, onde cresceu e aprendeu a se conhecer através da escrita. Formada em Odontologia, atualmente vive em Campinas com o marido e o filho. Dentista, mãe e também blogueira, divide seu tempo entre trabalhar num Centro de Saúde, andar de skate com Bernardo, tomar vinho com Luiz, bater papo com sua mãe e, entre um café e outro, escrever no blog. Em 2015 publicou seu primeiro livro: "A Soma de todos os Afetos" e se prepara para novos desafios. O que vem por aí? Descubra favoritando o blog e seguindo nas outras redes sociais.



15 COMENTÁRIOS

  1. Então… vi você comentando de férias. E quero te indicar minha terra para uma visita, São Miguel do Gostoso/RN, um lugar litorâneo e por mais que eu seja suspeita a falar é um lugar de fácil inspiração. Além do mais, adoraria te conhecer! A inspiração… e a beleza que vc relata, faz meu dia e de outros colegas com mais cor e a certeza de nossa humanidade.

  2. Que blog lindo! Amei!!! Você é muito talentosa, além de transmitir muita sensibilidade!!! Escrevo em um blog também (www.pensamentos achados.blogspot.com.br) e está convidada a lê-lo. Mais uma vez parabéns!!!! Beijoss

  3. Olá Fabíola,
    Sei bem o que é falta de inspiração. Em certos momentos parece que somos completamente incapazes de escrever, florescer, ver nascer!
    Um ipê fora da primavera, mas quando dão flores, como são belas!
    Estarei sempre a espera de suas formosas flores cada vez mais belas.

    Que Deus esteja sempre lhe iluminando

    Luz e paz

    Flávia Gonçalves

  4. Olá, Parabéns pelos artigos, eles tornaram o Blog excelente!!!
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