Sou filha das minhas dificuldades

Não sei de onde veio o conselho, mas comigo tem dado certo vida afora. Dizem que não é bom lixar os pés. Quanto mais se lixa, mais grossos eles ficam. O corpo não entende a esfoliação como recurso para deixá-los macios. Ao contrário, entende que os pés estão sofrendo uma agressão e, para se proteger, produz mais queratina, endurecendo a pele.

Somos como nossos pés. Podemos passar a vida toda ilesos, mantendo-nos lisinhos, macios e confortáveis. Ou passamos pela “lixa” e nos tornamos mais fortes e resistentes.

Ontem, assistindo à entrevista de Marília Gabriela com Ingrid Guimarães, não me surpreendi quando a atriz contou como a “inadequação” tornou-se a mola propulsora de seu sucesso.

Fabrício Carpinejar, autor do livro infantil “Filhote de Cruz Credo”, também passou por dificuldades na infância _ diagnosticado com disfunção cerebral, foi alfabetizado em casa pela mãe_ e isso pode tê-lo ensinado a rir de si mesmo, voando mais longe que os totalmente “adequados”.

Protegemos nossos filhos, cuidamos para que tenham o melhor, evitamos a todo custo que se sintam inadequados. Mas até que ponto zelar pelo bem estar perante a vida é realmente uma benção?

Dificuldades amadurecem, sofrimento fortalece e inadequação gera bons frutos.

Também tive meus momentos de inadequação. Dos treze aos quinze anos fui a “menina da coluna torta”, como a personagem – título (autobiográfica) de Júlia Barroso (http://www.juliabarroso.com/) e usei colete Milwaukee para corrigir um grave desvio de coluna. Aquela caricatura de “robôcop”, aliada às dificuldades inerentes à adolescência, mais o fato de ser tímida, magrela e muito CDF, faziam de mim um protótipo de alien do ensino médio.

O bônus foi  conectar-me àquilo que poderia virar esse jogo. A lixa cumpriu seu papel fortalecedor.

Hoje, olhando pra trás, sinto orgulho das dificuldades. Não fosse o bullying, a cidade do interior me bastaria.
Pés finos e macios não me levariam tão longe…

É claro que sou contra bullying e qualquer tipo de violência_ física ou psicológica. Mas infelizmente, ninguém será poupado pela vida. As dificuldades chegarão, mais cedo ou mais tarde; e quanto antes estivermos prontos e fortalecidos, melhor.

Pois como diria Rubem Alves:

” Milho de pipoca que não passa pelo fogo, continua a ser milho para sempre”…

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Fabíola Simões
Nasceu no sul de Minas, onde cresceu e aprendeu a se conhecer através da escrita. Formada em Odontologia, atualmente vive em Campinas com o marido e o filho. Dentista, mãe e também blogueira, divide seu tempo entre trabalhar num Centro de Saúde, andar de skate com Bernardo, tomar vinho com Luiz, bater papo com sua mãe e, entre um café e outro, escrever no blog. Em 2015 publicou seu primeiro livro: "A Soma de todos os Afetos" e se prepara para novos desafios. O que vem por aí? Descubra favoritando o blog e seguindo nas outras redes sociais.



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